Ethan Hunt e seu papel de herói das causas impossíveis
por Danilo Vasques
Eis um dos últimos filmes que vi em 2011 (há seis semanas). Explosivo. O adjetivo percebe-se logo no prólogo em que acompanhamos um agente da IMF (Força Missão Impossível) em fuga. Poucos minutos e um risco de pólvora queima o tradicional pavio que caracteriza sua abertura. Estamos diante de um longa repleto de adrenalina e que mantém a franquia acima da média dos filmes de ação.
Com direção de Brad Bird (Ratatoulle), o quarto filme emenda sequência ao título de 2006 dirigido por J.J. Abrams (Super-8). Investe no suspense acerca da vida pessoal do agente protagonista, que saíra em lua de mel ao cabo do terceiro, e emenda uma crise de identidade na organização secreta que já se mostrara abalável desde o primeiro título apresentado por Brian DePalma (Scarface), em 1998. Ponto estratégico na trama da vez: a apropriação do agente Benjamin, interpretado por Simon Pegg, personagem secundário no anterior e sublinhado agora como um partícipe cômico cuja função principal é equilibrar a tensão que percorre os aproximados 130 minutos da produção.
Reforçado por referências aos títulos predecessores e fiel à série televisiva seminal, Missão Impossível: Protocolo Fantasma situa-se como uma elaborada trama em que se pesem o talento do ator principal e o carisma de seu personagem. Tem lá, talvez, algumas poucas tendências que outros chamariam de imperialistas (um atentado terrorista no Kremlin e o estrangeiro que transita entre fronteiras e não respeita as leis locais em prol de sua missão), mas isso tudo é pequeno. Trata-se de uma obra que cabe à pipoca. Ademais, não prega nada além do que é: um excelente filme do gênero.
Super-Hunt
Ethan Hunt, personagem vivido por Tom Cruise e protagonista do filme, é inquebrantável. Não que o personagem não caia, sofra, sangre ou se machuque, o fato é que sua determinação e objetividade são qualidades não abaláveis. Incorruptível, é um forte. Ao seu modo, preserva sinais da consagrada imagem do super-herói moderno. Um homem sem poderes ou artifícios sobrenaturais que depende de sua força, habilidade e inteligência para combater o inimigo em razão de um bem maior, normalmente associado à coletividade.
Em paz com suas ferramentas e adepto da tecnologia de ponta, permite que a coragem, o instinto e o altruísmo norteiem suas ações. Razões pelas quais pode, por exemplo, mergulhar sem cerimônias de um prédio em Dubai apenas sustentado por cabos (Cruise fez as cenas de ação). Ainda na esfera do altruísmo tão caro ao gênero do herói, lega ao coração sua mais difícil causa. A paixão será sempre uma navalha e a solidão uma rédea (ao Superman, fortaleza) para os indivíduos de identidade secreta, e com Hunt não é diferente: ele não conseguirá driblar com plenitude os perigos da sua vida dupla como agente da IMF e marido. Contudo, neste caso, o sacrifício é palavra óbvia para quem aceita o risco do impossível.
Segue em São Paulo e em outras praças.
7+
Às vésperas do lançamento de Missão Impossível: Protocolo Fantasma, um jornal estrangeiro publicou em seu blog uma seleção das quais seriam as sete interpretações memoráveis de Tom Cruise. Emprestamos a ideia para uma postagem semelhante. Veja a seguir.

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