sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrô

Uma breve retrospectiva do nosso espaço. Selecionamos uma postagem para cada mês deste ano, exceto por julho, em que nos vimos obrigados a reunir dois títulos que obtiveram considerável repercussão entre os números de acessos: a morte da cantora Amy Winehouse e a estreia do último filme de Harry Potter. Não se trata de um resumo do ano para o blog, apenas uma tentativa de ilustração para alguns de nossos momentos em 2011.

Janeiro

O ugandense David Kato morreu a caminho do hospital aos 41 anos, ele não resistiu a graves ferimentos em sua cabeça. O ativista havia endossado em 2009 o movimento popular contra uma medida parlamentar que pretendia legitimar a pena de morte para casos de homossexualidade em Uganda. Em fevereiro de 2010, o presidente dos EUA, Barack Obama, criticou publicamente a inclinação antigay ugandense ressaltando preocupação com o crescente ódio no país. A brasileira Lea T., transexual, desfila em São Paulo. As possibilidades de expressão e de liberdade de opção sexual recebem novo fôlego com a projeção do trabalho da modelo brasileira crescida em Gênova. A morte de Kato, vítima sobretudo da intolerância, ocorre no mesmo mês. (JORNAL) Leia a postagem

Fevereiro 

O tempo vai se afastando da gente. Tais palavras competem à narradora do filme Bravura Indômita (True Grit), cuja obsessão por uma vingança familiar suscita o mote da obra. A vingança, mascarada por um baleado senso de justiça, nutre a determinação inquebrantável da então jovem de catorze que não se demove um segundo do objetivo de confrontar o assassino de seu pai com seu derradeiro acerto de contas. O latente encontro com o carrasco é o pano de fundo para uma história recheada de suspense, aventura, drama e humor. Não obstante, encerra-se em uma obra reflexiva e profunda. (CINEMA) Leia a postagem

Março

O jornalista Andrew Higgins registra que na cidade japonesa de Ishinomaki, o jornal local Hibi Shimbun teve suas letras impressas com tinta de caneta preta grafadas à mão em folhas grandes de papel branco. Em artigo publicado no Washington Post na última segunda-feira, ele anota que o único jornal da região enfrentou à moda "antiga" a pane elétrica e digital provocada pelos tremores seguidos de tsunami que abalaram o Japão em 11 de março. Sem acesso à internet, telefones 3G, gasolina, gás e energia, a equipe do periódico viu-se à deriva e recorreu à produção artesanal de sua publicação. (JORNAL) Leia a postagem

Abril
Rio

Uma arara-azul macho nascida numa floresta tropical é raptada e se torna vítima do tráfico de animais. Engaiolada, o destino lhe permite uma brecha e sua vida vai se desenvolver sob o aconchego de uma casa na frienta Minnesota (EUA), ou “Microssota”, como diz na versão em português a única fêmea da espécie. São os pássaros Blu e Jade, os protagonistas que terão suas vidas cruzadas e acorrentadas numa aventura que está em cartaz nos cinemas mundo afora. (CINEMA) Leia a postagem 

Maio

Os Estados Unidos confirmaram a morte de Osama Bin Laden, 54 anos. Há poucas horas, o presidente norte-americano, Barack Obama, declarou a morte do líder da Al-Qaeda apontado como um dos mentores dos ataques de 11 de setembro. Ele foi alvejado por forças norte-americanas no Paquistão. Por volta das 23h30 (madrugada no Brasil), em pronunciamento à televisão local, Obama garantiu que os Estados Unidos detêm o corpo de Bin Laden. Antes mesmo de confirmada, a notícia reuniu centenas de pessoas em frente à Casa Branca. O terrorista foi abatido a tiros na região de Abottabad, norte paquistanês. (JORNAL) Leia a postagem

Mais do que uma adaptação cinematográfica de quadrinhos, novo longa da franquia evita excessos e no correr de aproximadamente 130 minutos apresenta uma história para quem gosta ou não de gibis. Trata-se de uma obra que, em meio a vilões e heróis mutantes, versa sobre humanidade, descobertas e aceitação do próximo; necessariamente, aceitação de si mesmo. Com roteiro construído para o cinema, reconta o início da saga dos X-Men. Com adaptações e subversões ao universo das HQs, o filme consolida o encontro de Charles Xavier e Eric Lehnsherr. A amizade de ambos e a trincheira latente entre suas ideologias são pontuadas numa obra cujos efeitos especiais somam sem atrapalhar, o que se faz um triunfo, afinal. (CINEMA) Leia a postagem

Julho


Se Amy Winehouse será lembrada pelos excessos ou por seu talento, quiçá ambos, não sabemos. Contudo, é musicalmente bem aprumado o legado que assinou em dois discos e diversos shows marcados pelo refinado estilo Rhythm and Blues consoante com uma vida de celebridade às avessas limada com atitudes de um certo tipo rock star. Dona de um vozeirão ímpar e uma sensibilidade sonora igualmente profunda, a cantora empregou com esmero as possibilidades daquilo que seria seu melhor instrumento: justamente a voz. (MÚSICA) Leia a postagem



Lágrima é uma palavra que se tem observado em jornais mundo afora quando o tema é o derradeiro longa de Harry Potter. O filme que encerra a franquia cinematográfica iniciada há uma década é recheado de ação, tensão e comoção. Adaptação aprumada do livro homônimo e também composta de recriações autorizadas, a obra reforça laços observados nos títulos anteriores e traz revelações que devem agradar a plateia. O novo título fala sobre humanidade. (CINEMA) Leia a postagem

Agosto

O que pensaria Bob Kane se cientistas houvessem descoberto há oitenta anos o que ontem foi divulgado? O morcego comum (Desmodus rotundus) possui sensores infravermelhos que possibilitam encontrar com rara precisão os vasos sanguíneos de suas vítimas sob a epiderme. Localizados na face, os leitores térmicos garantem que o animal perceba a fonte de calor a cerca de vinte centímetros da presa. (JORNAL) Leia a postagem

Setembro
Não compete aguardamos um recontar fidedigno da engenhosidade do assalto e dos desdobramentos obscuros revelados parcialmente pela imprensa ao longos dos últimos seis anos. Criticada ou recomendada por frentes distintas da imprensa, estamos diante de uma obra que se apresentou promissora e resultou em um filme ágil e direto. (CINEMA) Leia a postagem

Outubro

Degenerativo, o mal apontado pelo neurologista alemão Alois Alzheimer no início do século XX atinge milhões de pessoas no mundo todo e configura um quadro dramático aos pacientes, seus familiares e outras pessoas afetadas direta ou indiretamente por ele. A busca pela cura da doença descoberta pelo médico há 110 anos é propulsora das ações do coprotagonista do filme "Planeta dos Macacos: a Origem". (CINEMA) Leia a postagem

Novembro
Virginia Woolf, em entrevista à Rádio BBC no ano de 1937, comentou que as palavras “vivem na mente e não nos dicionários”. Segundo o depoimento, apontado como único registro disponível de sua voz, seria por questões de porte semelhante que ela sentiria dificuldades em enxergar em seus pares um autor marcante, com potencial para se transformar em um nome atemporal – “Talvez a razão pela qual não temos um grande poeta ou romancista em nossos dias”. (JORNAL) Leia a postagem

Dezembro
Paulo José e Selton Mello interpretam os palhaços que norteiam a história. Os dois atores, postos sob a mesma lona, representam duas pontas de gerações que marcaram e, naturalmente continuam a fazê-lo, o trabalho do ator como grande arte, a qual transcende palco e tela a conviver no imaginário popular. Além de investirem profundamente nos papéis adquiridos ao longo das carreiras, ambos são profissionais que envergam seus talentos para outras esferas da construção artística, muitas vezes atuando em seus bastidores e por diversas etapas de suas produções. Selton Mello, homem por trás do presente filme, entende a responsabilidade de dividir cena e dirigir um ator com a imensidão que guarda Paulo José. (CINEMA) Leia a postagem

Até 2012! Feliz Ano Novo!
Danilo Vasques.

Daniel Piza


"Você não escreve bem se não ler muito", dizia Daniel Piza
 
por Danilo Vasques

Entrevistei Daniel Piza em junho de 2007 para uma edição especial do programa Refletor, produção que a TV Cruzeiro do Sul levou ao ar até o final de 2007. Mestre do ofício, respondeu a diversas perguntas sobre jornalismo e a prática da profissão, comentou seus braços culturais e literários e versou ainda sobre temas correlatos. Do programa de 28 minutos, pinço breves passagens a rememorar a prazerosa e instrutiva
conversa que tivemos em uma pequena brecha cavoucada entre os compromissos que ele mantinha naquela tarde em plena redação do jornal O Estado de S. Paulo. Na ocasião, Piza era editor-executivo do Caderno 2.
 
Para uma tentativa de homenagem póstuma, transcrevo abaixo três trechos de sua fala:

“Você não escreve bem se você não ler muito... Você precisa ter uma familiariedade com a sua língua e conhecer a riqueza desse instrumento que é a sua língua, que você vai usar todo dia na forma impressa. E você só conhece lendo os caras que melhor manejaram essa língua, quer dizer, você lê Machado de Assis, você lê Rubem Braga, você lê Graciliano Ramos, mesmo autores menos coloquiais, como Euclydes da Cunha, Guimarães Rosa, mas que lhe dão uma noção do colorido e do potencial de expressões, e de argumentos também, que a língua pode lhe dar.”

“O jornalismo já nasceu com o jornalismo cultural, na verdade, o jornalismo nasceu do jornalismo cultural. Ele não nasceu só da notícia política e tudo mais, eles são contemporâneos. Você pega as primeiras revistas, os primeiros periódicos na Inglaterra do século XVIII, eles tinham forte tônica cultural. A revista Spectator, que está viva até hoje, 300 e tantos anos depois, ela já tinha forte tônica em assuntos culturais.”

“O jornalismo nasceu assim, e vai ser sempre assim, com a obrigação não só de informar, mas de fazer pensar.”

 

Daniel Piza morreu ontem, 30/12, aos 41 anos. Vítima de um acidente vascular cerebral, o jornalista, escritor, cronista e advogado de formação pelo Largo de São Franscico deixa mulher e três filhos.

sábado, 24 de dezembro de 2011

O Palhaço

Filme homenageia atuações sob a lona e frente à câmera 
por Danilo Vasques

O segundo longa-metragem de Selton Mello como diretor presta tributo à arte que lhe consagrou como um dos rostos mais notáveis da dramaturgia brasileira. Atorzão inconteste, foca no novo trabalho as entrelinhas do ofício do intérprete redivivo pelos refletores. Não fosse o empenho em exaltar as belezas e arguras do picadeiro, poderíamos até mesmo pensar em um filme feito de ator para ator.

Mas não se trata disso. Observamos a representação de um universo circense idealizado e com leve tom lúdico. A obra acompanha a trupe do Circo Esperança pelos interiores de Minas Gerais em meados do século passado. É um pedacinho de um Brasil de anônimos que aquecem as arquibancadas de madeira e com seus ingressos e entusiasmo reforçam a sobrevivente arte mambembe.



O dono da companhia é interpretado por Paulo José. Ao seu lado está Selton Mello; ambos são os palhaços que norteiam a história. Pai e filho estão em crises distintas e silenciosas, a do mais jovem, que sinaliza aspectos de uma depressão, encabeça o andar do rolo. A extensão da trama mira o reencontro possível entre ambos e também a superação individual. Tem pegadas de humor, mas a tocada é dramática.

Os dois atores, postos sob a mesma lona, representam duas pontas de gerações que marcaram e, naturalmente continuam a fazê-lo, o trabalho do ator como grande arte, a qual transcende palco e tela a conviver no imaginário popular. Além de investirem profundamente nos papéis adquiridos ao longo das carreiras, ambos são profissionais que envergam seus talentos para outras esferas da construção artística, muitas vezes atuando em seus bastidores e por diversas etapas de suas produções. Selton Mello, homem por trás do presente filme, entende a responsabilidade de dividir cena e dirigir um ator com a imensidão que guarda Paulo José.

Não por acaso, abusa da dramaticidade e permite o humor. E, sendo eles quem são, compreende-se a naturalidade de longas sequências, algumas com raras falas, em que ambos podem despender com abundância a arte da representação. Há outros atores que recebem destaques ao longo do filme e que não contaremos para não estragar as devidas surpresas. Atente-se, como se fosse possível não notar, ao trabalho da jovem paranaense Larissa Manoela que interpreta a menina Guilhermina. Um papel de princesa.

O público, que há semanas ultrapassou a cifra de um milhão de pessoas, pode ao final deixar o cinema questionando uma passagem ou outra. Num exercício ingrato de síntese, diríamos que a segunda parte do filme poderia ter recebido um pouquinho mais de desdobramentos ou aprofundamentos à aventura da descoberta de Benjamim, personagem de Mello. Contudo, palavras finais, notamos mergulhos em quatro profundos e largos rios: o encantamento do circo, o trabalho do ator, Paulo José e Selton Mello.

Estreiou em 28/10.
Na região metropolitana de São Paulo, segue atualmente em nove salas.

Impostos

De grão em grão

por Danilo Vasques
 
Danilo Vasques/23.12.2011
Tome nota: Às vésperas do Natal, os brasileiros já havíamos pagos mais de 1 trilhão e 452 bilhões de reais em impostos. O número foi registrado no Impostômetro, painel da Associação Comercial de São Paulo que agrega automaticamente os tributos arrecadados no país. Pode ser visto pessoalmente na rua Boa Vista, Centro, ou consultado pela internet.
 
Painel contabiliza os impostos pagos no país