segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Danica e Piotr

Um em 7 bilhões

por Danilo Vasques

Em meio a mortes naturais ou por fruto de suicídios, assassinatos ou consequência de acidentes culposos e dolosos, o mundo recebe alguém para marcar o primeiro numeral inteiro da casa dos 7 bilhões. Dizem que é uma menina asiática. Outros afirmam ser um bebê russo. Quem sabe a contagem não pulou e esse recém-nascido já não chegou antes, de repente pode até ser mais um dos brasileiros nascidos e não registrados em um dos tantos pedacinhos deste nosso país imenso, esquecido como uma criança sem nome, sem prerrogativa nominal ou numérica que a compute oficialmente nas estatísticas nacionais e a insira nas condições básicas de pleitar seus direitos – os quais já lhe são devidos, registro possua ou não. Contudo, a estimativa do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para a quantidade de pessoas no mundo indica que o dia 31 de hoje sinaliza o limiar entre o nascimento do humano representante do número 6.999.999.999 e o primeiro a entrar na cifra dos 7 bilhões.

Especificamente, a celebração aconteceu nos primeiros minutos deste último dia do mês de outubro – já é tarde na América do Sul. A ONU desenvolve sua projeção com base em diversos estudos e plataformas globais que permitem o cálculo simbólico. Por critérios políticos, estabelece o nascimento de uma criança na data estimada como representante da cifra. Nos últimos dois minutos antes de 31/10, nas Filipinas, Danica Camacho foi previamente considerada pelas autoridades do país a primeira humana a entrar na casa dos 7 bilhões de pessoas. Já na Rússia, autoridades locais consideram o menino Piotr, nascido em Kalingrado, como o habitante de número 7.000.000.000 do planeta. Ele nasceu nos primeiros minutos do dia 31 na cidade previamente apontada pelas Nações Unidas como local simbólico, porém oficializado, para a contagem. Sem insistir no mérito da escolha, sejam ambos bem-vindos.

O ser humano de número 6 bilhões foi considerado um recém-nascido na Bósnia em 12 de outubro de 1999.

foto: Danilo Vasques/15.ago.2008
São Paulo. Mais de 41 milhões residem no Estado¹ (Fundação Seade)

Para acompanhar a estimativa de contagem da população mundial em tempo real, a ONU disponibilizou um serviço on-line. O contador pode ser acessado pela página da UNFPA, versão brasileira. Para consultá-lo diretamente, clique aqui:


Correção e acréscimo de informação: Autoridades da cidade de Kamtchatka, na Rússia, sugerem que um bebê nascido à 0h19 do dia 31/10 deva receber o posto de habitante número 7 bilhões do planeta. O horário do nascimento corresponde às 10h19 de ontem, 30/10, no horário de Brasília, postas as diferenças de fuso, como anteriormente apontado de forma errônea em alusão ao nascimento de Piotr, este também nascido nos primeiros minutos de 31/10. Outros filhos ao redor do mundo são também sugeridos ao título de primeiro bebê a entrar na casa dos 7 bilhões, entre eles, um recém-nascido na Índia. Certamente o tema poderá pinçar novos candidatos, excluindo ainda os pais e médicos anônimos que não recorreram ou recorrerão às autoridades ou à mídia. A decisão de aspecto mais político do que técnico mantém o caráter preponderantemente simbólico.

Estendemos aos novos as boas-vindas já mencionadas.


¹ Segundo estimativas da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) relativas ao presente ano de 2011, São Paulo concentra 41.779.798 pessoas às 15h29 de 31/10/2011.

atualizado a 0h52 de 1.nov.2011 para correção e complementação de informação.
atualizado às 23h49 de 31.10.2011 para revisão geral (inversão de ordem de termos nas primeira e segunda linhas do texto; exclusão de uma vírgula e palavra (fuso horário) no segundo paragráfo, substituição de verbos no último paragráfo: "consultar" em vez de "acessar").
atualizado à 23h32 de 31.10.2011 para inserção de título primário (Danica e Piotr) e marcador (Geral)
atualizado às 15h29 de 31.out.2011 para ajuste de link (Seade)

sábado, 29 de outubro de 2011

Lula

Informe: Lula é diagnosticado com câncer na laringe

por Danilo Vasques 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi diagnosticado com um tumor localizado de laringe, segundo informações médicas. A descoberta ocorreu após passar por exames ontem (28/10) no hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, devido a dores na garganta. O boletim médico assinado pelo diretor técnico hospitalar, Antonio Carlos Onofre de Lira, e pelo diretor clínico, Paulo Cesar Ayroza Galvão, foi divulgado às 11h deste sábado. Segundo a nota, após avaliação multidisciplinar, foi definido tratamento inicial com quimioterapia, que deverá ocorrer já nos próximos dias e será realizado em caráter ambulatorial.

Na última quinta-feira (27/10), Lula completou 66 anos de idade. Comemorou a data na sede do instituto que recebe seu nome, acompanhado por funcionários do local. Segundo o hospital, o ex-presidente passa bem.

Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula/ reprodução/divulgação
 Ex-presidente festeja aniversário no Instituto Lula na última quinta (27/10).

De acordo com nota da assessoria do instituto, o ex-presidente iniciará o tratamento quimioterápico a partir de segunda-feira (31/10). Segundo a nota, deve deixar o hospital ainda este sábado. Luiz Inácio Lula da Silva exerceu dois mandatos consecutivos e governou o país de 2003 a 2010.


O Ex-Presidente da República, Sr. Luís (sic) Inácio Lula da Silva realizou exames no dia de hoje no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, tendo sido diagnosticado um tumor localizado de laringe.
Após avaliação multidisciplinar, foi definido tratamento inicial com quimioterapia, que será iniciado nos próximos dias. O paciente encontra-se bem e deverá realizar o tratamento em caráter ambulatorial.
A equipe médica que assiste o Ex-Presidente é coordenada pelos Profs. Drs. Roberto Kalil Filho, Paulo Hoff, Artur Katz, Luiz Paulo Kowalski, Gilberto Castro e Rubens V. de Brito Neto. 

*

Para dedicação exclusiva ao tratamento, o ex-presidente suspendeu a agenda de viagens nacionais e internacionais até o final de janeiro de 2012, informa o Instituto Lula. A entidade disponibilizou um e-mail para o envio de mensagens diretas ao ex-presidente (saudelula@icidadania.org). (atualizado em 31.10)

atualizado à 23h30 de 31.10.2011 para inserção de marcador (Geral)
atualizado à 1h23 de 31.10.2011 para inserção de título primário (Lula)
atualizado à 0h33 de 31.10.2011 para acréscimo de informação (suspensão de viagens e e-mail)
atualizado às 14h07 29.10.2011 para inserção de links
atualizado às 14h02 de 29.10.2011 para acréscimo de informação (nota da assessoria)

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Amy Winehouse II


Álcool venceu Amy Winehouse

por Danilo Vasques

Investigação aponta que Amy Winehouse morreu por uso excessivo de álcool. Laudo divulgado hoje, 26/8, indica que havia em seu organismo 416 miligramas para cada 100ml de sangue, quando a quantidade média tolerada é de 80mg para a mesma dose, aproximadamente 5 vezes menos, como informa reportagem do diário El País (em espanhol). Acredita-se que a causa da morte tenha sido acidental: o excesso de álcool teria provocado coma seguido de parada cardiovascular.

A cantora morreu em 23/7 aos 27 anos. Seu corpo foi encontrado em Camden Town, bairro ao norte de Londres. O serviço de resgate foi chamado às 15h54 do horário local (11h54 de Brasília), porém Winehouse não resistiu. Autópsia realizada dois dias depois foi inconclusiva e as investigações consumiram ao todo três meses marcados por hipóteses e especulações.

Em 23/8, sua família afirmou que os exames toxicológicos realizados após a autópsia preliminar não encontraram vestígios de uso de drogas em seu corpo, como anotou reportagem do jornal The New York Times (em inglês). Na ocasião, foram revelados traços de álcool em seu organismo, mas ainda não era possível estabelecer relação com a causa da morte, como informou o jornal O Estado de S. Paulo com dados da Associated Press. Em 14/9, foi lançado um dos últimos trabalhos da artista: um dueto com Tony Bennet gravado em março nos estúdios Abbey Road, em Londres; a canção gerou o vídeo "Body And Soul" e integrou disco recém-lançado do cantor. Naquela data, foi ainda apresentada a Fundação Amy Winehouse, capitaneada por Mitch Winehouse, pai de Amy, como apontou reportagem do The Sun (em inglês). 

O primeiro trabalho oficial de Amy Winehouse, Frank (2003), foi lançado inicialmente na Inglaterra, venceu o Mercury Music Prize, referência local, e em pouco tempo foi distribuído internacionalmente. O estrelato global veio com Back To Black (2006), vencedor de cinco prêmios Grammy, incluindo melhor canção daquele ano por "Rehab". A partir daí, a cantora emplacou turnês (esteve no Brasil em janeiro), estabeleceu parcerias, realizou regravações e em seus últimos meses mantinha a perspectiva de um terceiro álbum. Teve sua carreira marcada por excessos de uso de álcool e drogas, internações médicas, chegou a se desentender com fãs e se envolveu em diversas polêmicas, além ter sua vida pessoal frequentemente exposta pela mídia especializada em celebridades. Amy Winehouse nasceu em Londres no dia 14 de setembro de 1983. 

Releia crítica publicada neste espaço no dia de sua morte:

foto: divulgação
Artista. Winehouse em foto promocional à época do segundo álbum


atualizado às 19h19 para correção ortográfica
atualizado à 1h de 28/10 para correção de erro de digitação (ano de nascimento) e inserção de marcador
atualizado à 1h21 de 28/10 para exclusão de trecho de crítica republicada (link permanece)

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Planeta dos Macacos: a Origem


Envolvente e reflexivo, filme versa sobre limites da humanidade

por Danilo Vasques

Degenerativo, o mal apontado pelo neurologista alemão Alois Alzheimer no início do século XX atinge milhões de pessoas no mundo todo e configura um quadro dramático aos pacientes, seus familiares e outras pessoas afetadas direta ou indiretamente por ele. A busca pela cura da doença descoberta pelo médico há 110 anos é propulsora das ações do coprotagonista do filme "Planeta dos Macacos: a Origem". Em cartaz há um mês e meio no Brasil (estreou em 26/8), deve resistir tão somente a alguns dias mais nos cinemas.

foto: reprodução/divulgação
Humanidade é valor embutido nas relações entre símio e cientista

O ator James Franco interpreta um cientista que por anos seguidos garimpa solução capaz de vencer a doença que repercute dentro de sua casa: seu pai é portador de Alzheimer. No laboratório, os testes do medicamento experimental são realizados em símios arrancados da natureza. Uma fêmea parece reagir ao tratamento laboratorial; suas funções cognitivas são amplificadas e a inteligência da primata se desenvolve a ponto de reverberar elementos básicos do raciocínio humano.

Está posto o prólogo do filme dirigido por Rupert Wyatt que visa estabelecer o início de uma obra apresentada há mais de quatro décadas; o primeiro filme, O Planeta dos Macacos, cujo Charlton Heston é nome que se sublinha, estreou em 1968, repercutiu dentro e fora dos cinemas e angariou sequências e refilmagens. No novo título, Franco desenvolve um laço afetivo com um chimpanzé que acompanhamos evoluir desde a infância – o crescimento do animal é humanizado e reflete traços de uma criança em formação. Passados alguns anos, sua vida espelhará diversos hábitos e condições do convívio social humano o que não será necessariamente positivo. Júlio César é o nome do símio cujos movimentos e dimensões foram baseados no trabalho do ator Andy Serkis.

Um filme de reflexão contumaz. Aborda temas diversos e atuais, como o poder econômico da indústria farmacêutica sobre a produção científica, os maus-tratos contra os animais, a violência social e cotidiana, o estresse, entre outros. Questiona as relações entre os seres humanos e seus pares e demarca criticamente os abusos do homem sobre os outros seres, quais sejam eles. Ficção que se articula sobre dois lados de uma mesma moeda: a inteligência e a revolta simiecas emparelham-se à agressividade de um vírus que transformará a vida no planeta. Dos macacos e dos nossos semelhantes.

Em São Paulo, ainda em quatro salas.