sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Copa-2014

Cronômetro: faltam 2 anos e 269 dias para abertura do Mundial

por Danilo Vasques

A mil dias da Copa do Mundo no Brasil, cerca de 440 funcionários trabalham nas obras do futuro estádio do Corinthians, apontado como o possível palco da abertura. Planeja-se que o Itaquerão, o apelido refere-se ao bairro de Itaquera, zona leste da cidade de São Paulo, esteja finalizado até dezembro de 2013. Em julho, o custo total da construção foi estimado em R$ 820 milhões. Contará com incentivos fiscais do município.

fotos: Danilo Vasques/16.set.2011
Contando. Painel anuncia dias restantes para a Copa-2014.

Recentemente, o clube e a Odebrecht Participações e Investimentos S.A., responsável pela obra, divulgaram que o contrato foi assinado; informaram na ocasião a pretensão de utilizar linhas de financiamentos disponíveis para o Mundial. As obras tiveram início há três meses e meio e a construtora relata em seu site que já foram fixadas mais de 600 estacas e preenchidos 130 blocos de concreto. A terraplenagem continua em execução.


Danilo Vasques/16.set.2011
 Força.  Jorge e "Baiano" trabalham na construção. Ao todo são 440 funcionários.

O estádio terá capacidade para 48 mil pessoas e, caso seja confirmado como sede da abertura (a Fifa deve se pronunciar oficialmente em outubro), receberá mais 20 mil assentos removíveis para seguir o padrão exigido à competição¹. Estes serão custeados pelo Estado e retirados após os jogos. O início do evento está marcado para o dia 12 de junho de 2014.


Galeria
Veja a seguir fotos inéditas das obras do Itaquerão.

fotos: Danilo Vasques/16.set.2011





As obras começaram no dia 30 de maio. Além do horário padrão, as jornadas de trabalho ocupam o período noturno e os finais de semana. A construtora estima gerar aproximadamente 1.500 empregos durante o ápice da empreitada. Abaixo, o local fotografado há quase dois meses.

Danilo Vasques/22.jul.2011
Obras do Itaquerão ao fundo. Em primeiro plano, estacionamento de shopping


¹A Fifa determina que a arena de abertura possua ao menos 65 mil lugares.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Super 8

Agradável ficção científica valoriza o lúdico e a ação 

por Danilo Vasques

O prólogo é espetacular. Um grupo de jovens realiza uma tomada em determinada estação de trem. A ferramenta principal é uma super 8. Trata-se de um momento dramático, as mútuas declarações de amor climatizam a latente despedida entre a mocinha e o seu par. A cena vai compor um filme de terror que os jovens insistem em montar. A noite segue alta e a equipe resolve valorizar a locação quando um trem surge no horizonte. Câmera ligada, máquina correndo e um carro invade os trilhos. Eis a sequência que determinará o desenrolar da fita.

foto: divulgação
Destemidos em cena. Elle Fanning, Joel Courtney e, ao fundo, Riley Griffiths.

A história de Super 8, superprodução dirigida por J. J. Abrams e ainda em cartaz, versa sobre crescimento, amizade, fidelidade, perdas e descobertas – a renúncia e a fantasia também serão temas recorrentes. O tom lúdico dos dramas e aventuras que permeiam a infância, adolescência talvez, dos protagonistas dá vazão a uma ficção científica entrecortada por diversos sentimentos humanos. E muita ação.

Passado

A super 8 que compete ao título é uma filmadora lançada em meados da década de 1960 pela Kodak; uma portátil que atualizou o formato de 8mm. Popularizou-se à confecção de filmes amadores e caseiros. Fora de série, é ainda cultuada por diversos cineastas e cinéfilos e utilizada em produções alternativas, videoclipes e mesmo em obras de amplo alcance.

O tom memorialista do título se esparrama pelo cenário que remonta ao ano de 1979 numa cidade interiorana dos Estados Unidos. Eis o tempo da infância de Jeffrey Jacob Abrams, nascido na cidade de Nova York em 1966. Hoje ele assina J. J. Abrams e é um dos realizadores mais aclamados no cenário norte-americano e nome de sucesso mundial.

Presente

Abrams é o homem por trás de Super 8. E se você já conhece outros trabalhos de sua carreira, sobretudo o monstro Cloverfield, e alguns bons títulos de Steven Spielberg, principalmente aqueles que exploram a vida extraterrestre, talvez reconheça tipos comuns e mútuas citações nesta superprodução que estreou no Brasil em 12/8. A dupla assina o expediente da linha de frente. Spielberg é o coprodutor.

Nota-se um filme repleto de referências. Contudo, quem não conhece ou recorda a produção anterior de ambos cineastas pode assistir a Super 8 sem qualquer prejuízo. As menções não engessam a obra. Somam apenas e permitem passagens que rubricam o grande cinema que ambos procuram estabelecer. Uma das produções mais agradáveis do ano. Na cidade de São Paulo, permanece em cartaz em apenas uma sala nesta semana: se for ao cinema, não deixe de ver os créditos.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Assalto ao Banco Central

Criticada por uns, recomendada por outros, ficção é envolvente

por Danilo Vasques 

A Polícia Militar de São Paulo prendeu há pouco mais de uma semana (24/8) Antonio Reginaldo de Araújo, foragido acusado de participar do assalto ao Banco Central do Brasil, em Fortaleza, nos dias 6 e 7 de agosto de 2005. Notícia do jornal O Estado de S. Paulo (26/8, p. C9) aponta que a captura ocorreu em Cidade Dutra, zona sul, após denúncia anônima. Ele havia fugido em 5 de fevereiro com outros detentos do Instituto Penal Professor Olavo Oliveira, em Itaitinga, ainda no Ceará.

O crime é considerado o maior roubo a um banco brasileiro. Foram levados mais de 164 milhões de reais em notas usadas que seriam incineradas; somente parte do dinheiro foi recapturado. O episódio repercutiu no país e na mídia internacional que o relacionou aos grandes crimes mundiais. Os assaltantes construíram um túnel de aproximadamente 80 metros, com média de 70 centímetros de largura, dotado de ar-condicionado, iluminação e paredes recobertas com madeira e lona plástica.

Desde o início dado como trama cabal ao cinema, ganhou as telas nacionais em julho passado. O crime serviu de base para o longa de estreia de Marcos Paulo, experiente profissional da televisão que apresentou a obra oficialmente na noite de encerramento do Paulínia Festival de Cinema, no interior de São Paulo, em 14/7. Mais de um mês e meio depois, o filme ainda garante algum público com sua toada ficcional. 
fotos: divulgação
  Clara. Hermila Guedes vive a única mulher na quadrilha 

Sim, é uma ficção. Direção mais o roteiro de Renê Belmonte, com a colaboração de Lúcio Manfredi, baseado no livro homônimo de Belmonte e J. Monteiro, permitem a construção de personagens caricatos que se arriscam em tramas paralelas. Não mergulha psicologicamente nos criminosos, porém na soma dos atos e nas pinceladas que ditam o antes, o durante e o pós-assalto observamos momentos de tensão e ação, com algumas levadas de humor, que reverberam em um filme envolvente. Indiferente ao relevo ficcional e as insinuações que ora possam redundar na superfície, são válidas as farpas que destina ao sistema prisional e as críticas diretas a algumas instituições públicas, à polícia e à política.

Não compete aguardamos um recontar fidedigno da engenhosidade do assalto e dos desdobramentos obscuros revelados parcialmente pela imprensa ao longos dos últimos seis anos. Criticada ou recomendada por frentes distintas da imprensa, estamos diante de uma obra que se apresentou promissora e resultou em um filme ágil e direto. Conta ainda com um rol de competentes intérpretes, entre eles Gero Camilo, Tonico Pereira, Heitor Martinez e Giulia Gam. Lima Duarte, atorzão que faz jus ao aumentativo reinventando-se em papéis tão variados ao longo da carreira, interpreta um delegado federal avesso à modernidade latente ao seu departamento. Milhem Cortaz, já marcante nas duas edições de Tropa de Elite, de José Padilha, protagoniza o chefe do bando. Está ferino sob o apelido de Barão.

  
Distintivo. Lima Duarte interpreta um delegado federal

Companhias

Assalto ao Banco Central veio ao cartaz em meio às férias escolares, quando Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2, o último da série, lotava salas ao redor do planeta. Poucas semanas depois, chegaria Capitão América: o primeiro Vingador (29/7) assumindo parte da liderança entre as bilheterias. Além de ambos, anunciava-se o espetacular Super 8 (desde 12/8, leia crítica na segunda-feira) e os aguardados Lanterna Verde (19/8) e Planeta dos Macacos: a Origem (26/8; na Europa há quase um mês). Na Grande São Paulo, Assalto ao Banco Central persiste em apenas 2 salas. 

Anos Rebeldes. Cássio Gabus Mendes, ilustre participação

Boletim Médico

No início da semana, o diretor Marcos Paulo deixou a Unidade de Tratamento Intensivo do Hospital São José da Beneficência Portuguesa de São Paulo. Submetido a uma cirurgia para remoção de um câncer no esôfago no dia 14/8, continuará o tratamento em um quarto. Os cuidados visam o completo fortalecimento físico e nutricional, segundo a nota da equipe médica reproduzida em notícia do portal G1, das Organizações Globo. 


Marcos Paulo deixou o hospital em 4/9. O diretor de 60 anos manterá acompanhamento médico a cada três meses, segundo notícia do portal da revista Exame. Atualizado em 6.set.2011.


inserção de link: Super 8 (Atualizado à 01h24 de 6.set.2011)
acréscimo de informação: diretor deixa hospital (Atualizado à 01h24 de 6.set.2011)
inserção de link: Planeta dos Macacos: a Origem (Atualizado às 22h40 de 12.out.2011)