sábado, 23 de julho de 2011

Morre Amy Winehouse

Em Londres aos 27: já morrera cem vezes em metáfora

por Danilo Vasques 

Corpo da cantora foi encontrado em Camden Town, bairro ao norte de Londres, segundo informações do jornal The Guardian (em inglês), do Reino Unido, e do espanhol El País (em espanhol). O serviço de resgate foi chamado às 15h54 do horário local (11h54 de Brasília) à residência onde ela estava, mas Amy Winehouse, aos 27 anos, não resistiu. A causa da morte ainda é desconhecida. Na imprensa internacional, as primeiras informações apontam para overdose.*(leia ressalva abaixo)

foto: divulgação
Madura. Cantora posa em foto promocional à época do segundo álbum 

Rock

Se Amy Winehouse será lembrada pelos excessos ou por seu talento, quiçá ambos, não sabemos. Contudo, é musicalmente bem aprumado o legado que assinou em dois discos e diversos shows marcados pelo refinado estilo Rhythm and Blues consoante com uma vida de celebridade às avessas limada com atitudes de um certo tipo rock star. Dona de um vozeirão ímpar e uma sensibilidade sonora igualmente profunda, a cantora empregou com esmero as possibilidades daquilo que seria seu melhor instrumento: justamente a voz.

Ciente ou não da importância que detinha a sua preciosa musicalidade, entre outras coisas, a cantora ecoou notas a estilos caros que marcaram a história da música, principalmente a norte-americana e inglesa, a partir dos anos 1950. Entretanto, se Winehouse sublinhou as influências que obtivera do R&B, do jazz, do soul e do rock n' roll, ela pincelou tais gêneros com um tipo próprio, marcante e moderno. Sua música, ladeada por letras de um universo aparentemente particular, apresentou um encorpado lado B a um cenário viciado em fórmulas e produtos de repetição.

Amy, que já morrera cem vezes em metáfora da letra de "Back To Black", faixa-título do premiado disco de 2006, ensaiava um terceiro álbum. O primeiro trabalho oficial, Frank, de 2003, jogou luz ao nome da cantora na imprensa (foi lançado na Inglaterra e arrematou o prêmio Mercury Music Prize, referência local), mas foi aquele apresentado três anos depois que lavrou a consagração global da artista. Vencedor de cinco prêmios Grammy, incluindo melhor canção do ano por "Rehab", ele emplacou em dials ao redor do planera títulos como "You Know I'm no Good" e "Love is a Losing Game". 

 Rock star. Winehouse em show nos EUA em março de 2007

Asas

A cantora esteve no Brasil em janeiro para uma série de palcos. Recentemente, havia iniciado o que seria uma turnê pela Europa, cancelada após o primeiro show na Sérvia em 18 de junho. Winehouse começou a cantar profissionalmente na adolescência e teve uma carreira de ascensão musical, marcada pela exposição da vida privada, internações e polêmicas, incluindo atritos com alguns fãs e eventuais apresentações pífias. Outras certeiras. Era sabido que enfrentava problemas com bebidas e drogas.

Nasceu em Londres no dia 14 de setembro de 1983. Era filha de uma farmacêutica e de um taxista que há pouco se arriscou a gravar algumas canções. No braço direito, ela levava um pássaro que em uma de suas tatuagens ilustrava os dizeres "never clip my wings" (algo como "nunca amarre minhas asas"). Voz grave e alada, morre precocemente aos 27.

foto: divulgação
Artista. A cantora em em lançamento do disco Back to Black

Som

Clique para ouvir "It's My Part" regravada por Amy Winehouse em homenagem ao célebre produtor Quincy Jones. A canção ficou famosa na voz de Lesley Gore na década de 1960. O single lançado em novembro do ano passado era prometido para figurar entre as faixas do novo álbum. No Youtube.

*As informações sobre as causas da morte ainda são desencontradas (3/8). A autópsia realizada dois dias após a morte de Amy Winehouse foi inconclusiva, como informou o jornal El País na ocasião. O Estado de São Paulo, em reportagem com agências internacionais, relembra que os rumores sobre overdose são especulações, como a polícia britânica fez questão de sublinhar desde que o caso veio a público. Espera-se que o laudo conclusivo dos exames pós-morte seja divulgado ainda em agosto. (atualizado em 3.ago.2011)

Em 23/8, a família de Amy Winehouse afirmou que os exames toxicológicos realizados após a autópsia preliminar não encontraram vestígios de uso de drogas no corpo da cantora no dia de sua morte, segundo informa reportagem do jornal The New York Times (em inglês) e texto do Estadão com dados da Associated Press. Haveria traços de álcool, contudo, não é possível determinar se há relação com a causa da morte. As investigações continuam. (atualizado em 23.ago.2011)

Divulgado hoje, 14 de setembro, o vídeo Body And Soul, dueto de Amy Winehouse com Tony Bennett. A gravação, que ocorreu em março, é uma das últimas da cantora e deve figurar no próximo álbum de Bennet, Duets, com lançamento marcado para próxima semana. A disponibilização do vídeo marca o dia em que a artista completaria 28 anos e acontece simultaneamente ao lançamento da Fundação Amy Winehouse, capitaneada pelo pai de Amy, Mitch Winehouse, como anota reportagem do The Sun (em inglês). Recentemente, Mitch acenou a possibilidade da morte da artista ser decorrência de um tratamento de desintoxicação e da luta contra o álcool. (atualizado em 14.set.2011)

Investigação aponta que Amy Winehouse morreu por uso excessivo de álcool. Laudo divulgado hoje, 26 de outubro, revela que havia em seu corpo 416 miligramas por cada 100ml de sangue, quando a quantia tolerada é em média 80mg para a mesma dose, ou seja, aproximadamente 5 vezes menos, como informa reportagem do diário El País. Acredita-se que a causa da morte tenha sido acidental: o excesso de álcool teria provocado coma seguido de parada cardiovascular. (atualizado em 26.out.2011)

Disco póstumo deve ser lançado em 5 dezembro, segundo reportagem do Estadão com dados do jornal The Sun. Entre as faixas, cover de Garota de Ipanema, gravada em 2002. Indica-se que parte da renda obtida com as vendas pode vir a ser revertida para a fundação que leva o nome da cantora. (atualizado em 31.out.2011)

última atualização às 13h27 de 31.out.2011 para acréscimo de informação (disco póstumo)
atualizado às 17h47 de 26.out.2011 para acréscimo de informação (causa da morte)
acréscimo de informação em 14.set.2011
acréscimo de informação: 23.ago.2011
acréscimo de informação: 3.ago.2011
retranca e revisão: 23.jul.2011 

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2

Último filme da série investe em dramaticidade e emoção

por Danilo Vasques

Lágrima é uma palavra que se tem observado em jornais mundo afora quando o tema é o derradeiro longa de Harry Potter. O filme que encerra a franquia cinematográfica iniciada há uma década é recheado de ação, tensão e comoção. Adaptação aprumada do livro homônimo e também composta de recriações autorizadas, a obra reforça laços observados nos títulos anteriores e traz revelações que devem agradar a plateia.

O novo título fala sobre humanidade. Duendes, gigantes, fantasmas e dragões interagem com feiticeiros, o que acena para uma literatura baseada em fantasia, contudo, bem sabem os leitores, as palavras fantasiosas (que no caso de Rowling vai beber na filosofia, na mitologia e no latim, entre outras inspirações) servem muitas vezes de passaporte para um mundo bem próximo dos humanos que observamos nos espelhos. Não à toa, a perda que ensina e transforma, a dor que constrói, é figura recorrente na trama desde seu início. Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 completa em grande estilo um verdadeiro fenômeno contemporâneo. 

Trio parada dura. Harry (Radcliffe), Hermione (Watson) e Rony (Grint)

Opinião

Um dos melhores da série, detalha passagens do livro e faz jus ao verbo “adaptar”, valendo-se de autonomia ao subtrair alguns elementos da trama sem prejuízo de entendimento. Filme para fã que não fica a dever para o público espontâneo, aquele que não conhece os personagens ou não acompanha a série, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 é um longa refinado e sem exageros. Os efeitos especiais, tecnológicos e de maquiagem compõem uma obra moderna e esteticamente bem apresentada.

Interpretações sensiveis e comoventes. O mergulho na atuação de seus atores sela um filme rico em detalhes. David Yates, o diretor, acerta a mão ao deixar o verniz sem bolhas, contrariando algumas produções contemporâneas que desequilibram a balança ao abusar dos recursos visuais ao passo que reduzem a humanização da trama. Em Harry Potter, a direção sublinha ambos aspectos com parcimônia. Filmaço. Ir ao cinema continua sendo uma experiência muito particular.

Maduro

Pouco mais de duas horas foram suficientes para o climáx da trama que arregimentou a preparação do duelo final por uma década. Em livro, a autora J.K. Rowling já havia apresentado o desfecho em 2007, quando o último capítulo da série foi publicado, causando alvoroço em milhares de livrarias. Se em julho de 2009, na ocasião do lançamento do sexto filme, havíamos escrito neste espaço que a madureza chegava para o jovem Harry Potter, agora ela já se assentou e é sem volta.

O oitavo longa da franquia estreou nesta madrugada em inúmeras salas do planeta, mais de 150 na região metropolitana de São Paulo. Fãs que aguardavam a conclusão da saga lotaram cinemas em vários continentes para conferir um filme que já havia arrecadado milhões de dólares apenas na venda antecipada de ingressos. Na sessão que acompanhamos, nos primeiros minutos desta sexta, meia-noite e cinco na face do ticket, centenas de adultos, adolescentes e crianças repercutiam o apelo global que o filme tem provocado: muita pipoca e diversos lugares esgotados, filas, alguns jovens trajados a caráter, aplausos e lágrimas ao final da exibição. Um sucesso.

Lançado também em cópia 3-D, o primeiro da série filmado completamente com a tecnologia, Harry Potter e as Relíquias da Morte Parte 2 encerra uma das mais bem-sucedidas franquias cinematográficas. Muito além dos mais de seis bilhões de dólares que os títulos anteriores arrecadaram juntos apenas nas bilheterias, os filmes somam-se aos livros de Rowling como ícones de uma geração que alcança a maioridade ladeada pelos protagonistas da série. Daniel Radcliffe, Rupert Grint e Emma Watson, quando transvetidos em seus personagens, entre outros, são rostos que congregam diversos atributos que pululam no imaginário cultural em que se insere seus fãs: amizade, amor, lealdade, esperteza, bravura, honra, perspicácia, esforço e altruísmo são algumas das pistas pinçadas ante às estonteantes magias. Engana-se o adulto que pensa que Harry Potter trata-se somente de uma ficção juvenil.

Mais Potter

Leitores orfãos desde 2007 de novas histórias de Harry Potter e companhia encontram na rede uma plataforma para retomar o contato com o universo bruxo projetado por Rowling. A autora promete para outubro o lançamento oficial do site Pottermore.com, desenvolvido para dar vazão a diversos elementos que pretendem dialogar com os livros já lançados. “Uma emocionante experiência on-line”, prega anúncio no site. É possível se cadastrar no endereço e aguardar até 31 de julho para receber orientações sobre como conferir o espaço antes da abertura ao público em geral.



Gosta do tema, então talvez queria reler crítica publicada em 2009 para o lançamento do sexto filme, aqui neste espaço:


fotos: divulgação/reprodução

atualizado às 2h20 de 18.jul.2011

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Cidade de São Paulo

Há 300 anos, região tornava-se cidade de papel passado

por Danilo Vasques

Três séculos separam a cidade de São Paulo da condição de vila que outrora sustentara. Ela, que hoje figura entre as dez maiores metrópoles do planeta*, até o início do século XVIII tinha suas cercanias principais expandidas a poucos metros do Marco Zero. Erguida há 457 anos, a região recebeu título de cidade em 11 de julho de 1711, assinado pelo então rei dom João VI.

Via-se um cenário que ansiava por vieses urbanos enquanto os ora já paulistanos viviam sob um território de chão batido, com culinária pouco expansiva e persistência da cultura escravista. Atualmente, São Paulo conta mais de 11 milhões de pessoas, segundo o Censo 2010¹. De vila à cidade, como se sabe, desenvolveu-se como uma região multilinguística, cosmopolita, permeada de contrastes e étnica e culturalmente diversificada. A metrópole, pois, inicia a semana mais velha numa segunda-feira de inverno com tarde de sol que já vai se pondo.

 Para-brisa. Carros trafegam na Marginal do Rio Pinheiros/7.dez.2008


Danilo Vasques
Mais do mesmo. Faróis iluminam a avenida Papa VI, região do Sumaré/23.abr.2010


Se você gostou do tema e curtiu as fotografias, talvez queira rever outras imagens publicadas aqui neste espaço:


¹Mulheres. O IBGE registrou 11.253.503 pessoas no município de São Paulo. A amostragem aponta que na área urbana predominam as mulheres, respondendo por 52,2% do total. O sexo masculino assume 46,9%, enquanto o saldo restante (0,9%) da pesquisa corresponde à área rural, onde a diferença entre ambos os gêneros é de 0,1% predominante ao sexo feminino. O instituto disponibilizou uma ferramenta para consulta pública na internet que possibilita fazer uma busca detalhada por municípios do país. Em algumas cidades, caso da capital paulista, ao se marcar a opção “setores”, torna-se possível refinar a pesquisa com dados pormenorizados em distritos e bairros. 

*Considerando-se o total de habitantes.

Sobre o 3º centenário da cidade, o professor, sociólogo e escritor José de Souza Martins antecipou a data em sua refinada coluna no jornal O Estado de S. Paulo, publicada no dia 4 de julho.

atualizado às 2h09 de 13.jul.2011 para revisão
atualizado às 15h57 de 24.out.2011 para inserção de link (José de Souza Martins)

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Ringo Starr

Ex-Beatle, que toca pela primeira vez no Brasil, completa 71 anos hoje

por Danilo Vasques

O melhor baterista do mundo finalmente vem ao país para uma sequência de shows. Para alguns, melhor dito assim é exagerar, já que Lennon rechaçou o rótulo num bem-humorado comentário em 1968: “ele nem é o melhor baterista dos Beatles”. Foi logo depois dos poucos dias em que Ringo Starr, o mais tímido do fabuloso quarteto, arriscou deixar o grupo. A revolta do batera foi também um charme, pois ele retornou de imediato em resposta aos pedidos da trinca inconteste que o aguardava.

Em um depoimento também amplamente conhecido, a despeito das polêmicas que envolveram o final dos Beatles e à distância do tempo, Ringo resumiu os laços do grupo: “apenas quatro caras que realmente se amavam”. A fala integrou o documentário Anthology, exibido no Brasil em formato de minissérie pela TV aberta em 1996. O vídeo fez parte do projeto multimídia que reuniu ainda em discos gravações históricas, lados B e demos raras do grupo, além de apresentar ao mundo a canção “Free As A Bird”, retrabalhada em estúdio, sendo preservado o áudio original de Lennon, morto em 1980. 

70+1

Nascido Richard, conta-se que o apelido surgiu de uma brincadeira por conta dos anéis que o então adolescente chegado em música costumava usar. Ringo seria um derivado da tradução da palavra em inglês, ring. Nascido na portuária Liverpool num 7 de julho, levando o nome do pai, Richard Starkey, e crescido ao lado da mãe e do padastro, o baterista que posteriormente se tornaria multi-instrumentista começou a tocar oficialmente aos dezessete, quando montou sua própria banda.

Três anos depois, em 1960, conheceu um quarteto promissor de músicos locais. Não tardou um biênio completo para que fosse convidado a gravar com eles em estúdio. Ringo Starr entrava para substituir o anterior baterista, problemático, dispensado do grupo. Timidez vísivel à sombra de Pete Best, cujo nome pululava entre alguns fãs, Ringo assumia as baquetas daquela que se tornaria a banda mais famosa do planeta.

Tal qual seus pares, ao fim dos Beatles, Ringo seguiu em carreira solo. Ainda em 1970, o derradeiro ano do quarteto definitivo de Liverpool, ele lançou seu primeiro disco. “Sentimental Journey” trazia uma série de regravações antigas, foi produzido por George Martin e não obteve sucesso expressivo frente ao público. Era o primeiro passo de uma obra pós-Beatles que contaria com mais de duas dezenas de álbuns solos e pelo menos outros seis com a All Starr Band, grupo que o acompanha em estúdios e excursões mundo afora desde 1989.

Chega aos 71 em plena atividade. Segue em turnê intercontinental, por ora na Europa, em show neste aniversário na cidade de Hamburgo, Alemanha. Antes de desembarcar no Brasil, passará por México, Chile e Argentina. A relação de cidades por ser lida em seu site oficial (em inglês), cuja página inicial reflete seu espírito humanista: um pedido de paz e amor.

 Bom mocismo: ex-Beatle prega paz e amor

Brasil

Ringo e a All Star Band acordaram uma série de apresentações no país para o mês de novembro. O primeiro show será em Porto Alegre no dia 10 daquele mês. Dois dias depois, será a vez de São Paulo. A turnê passará ainda por Rio de Janeiro, Minas Gerais, Brasília e Pernambuco.

A pré-venda de ingressos começa a partir de 11 próximo exclusivamente para clientes de algumas bandeiras de cartões de crédito e em 18 de julho a vendagem será aberta ao público total. Os valores por ora não foram divulgados. A All Star Band é formada por Rick Derringer, Richard Page, Gary Wrigth, Wally Palmar, Edgar Winter e Gregg Bissonette.

entre sorrisos: Ringo e a All Starr Band seguem em turnê pela Europa


Para rememorar o lançamento do primeiro disco do Beatles, leia matéria sobre os 48 anos de Please Please Me publicada neste espaço em 22 de março.

Se você curte o quarteto de Liverpool, talvez queira ainda reler texto sobre o fã brasileiro que conheceu os Beatles.


fotos: divulgação

atualizado às 17h58