A força do Deus do
Trovão além do martelo:
reside em sua humanidade
por Danilo Vasques
Kenneth Branagh é dito
como um ator profundo, homem chegado a Shakespeare e outros grandes.
Talvez por esta razão, sua versão como diretor para Thor, o
personagem criado por Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber, apoia-se
na introspecção como caminho para o filho de Odin encontrar o herói
que lhe cabe: é no lado de dentro que reside a força do guerreiro.
O aprendizado acontece ao longo do novo cartaz dos estúdios Marvel.
No filme que estreou no
final de abril (29), o bravo protagonista só compreende o poder que
os deuses oferecem aos seus pares quando se aproxima da mortandade:
para Thor, não basta o título, é preciso merecer. Ao trilhar por
este universo cósmico que une e distancia divindades e mortais é
que se observa o amadurecimento do homem que carrega o martelo.
Branagh já comentou por aí que quando assumiu a cadeira de direção
da megaprodução, algumas pessoas estranharam ouvi-lo dizer que
conhecia em detalhes o herói dos gibis.
Deve ter sido o leitor
por trás do diretor, consoante com a história para o longa escrita
por J. Michael Straczynski e Mark Protosevich, que permitiu uma
adaptação que transita com pertinência entre os dois mundos (ou os
noves, de alguma forma, se preferir) do personagem: o reino de Asgard
e a Terra. Um filme didático para conduzir novos espectadores ao
personagem que teve sua estreia nos quadrinhos em 1962.
Mas deixemos claro: é
um filme de ação, antes de tudo .
Dia do Trovão
Nesse campo é difícil
escolher os momentos que melhor caracterizam o herói. Dois deles
valem grifos: na primeira batalha, Thor e companhia desafiam os
guerreiros de gelo, os aparentes vilões num universo paralelo ao
reino comandado por Odin. Cortes secos, efeitos especiais, gravidade
desafiada, nada de novo, mas o uso do martelo merece destaque.
Sensacional. A arma que simboliza o herói tem quase vida própria –
para ficar mais claro: energia própria. Lembrou quadrinhos quando
Thor se ajoelhou e bateu o cabo da arma no chão ecoando assim a sua
força. É a cena impressa num dos pôsteres de divulgação.
promocional do filme que estreou em abril
A segunda (se ainda não
viu o filme, pule este parágrafo): o herói reavê seus poderes e
manobra sua arma em frenética rotação. A partir do seu movimento,
um enorme tornado o envolve e Thor voando se faz sublime em meio à
eletricidade que reverbera das ondas de ventos e nuvens. O dono do
trovão está ali redesenhado.
As sequências que se
passam em Asgard são em grande escala coloridas e luminosas, numa
tentativa de refletir a magia que envolve os deuses que lá se
baseiam. Odin, o pai de todos, um Zeus nórdico, é o mandante do
poderio que nutre a família real. Thor é o herdeiro do trono que
perde a vez por sua arrogância e imprudência. Punido por atos que
fazem romper a paz diplomática às cercanias do seu lar, é lançado
pelo pai ao planeta dos humanos e aqui recai sobre ele uma série de
provações. É o princípio da história que acena a revisão do
mito e rubrica a imaginação.
Astros
Thor é um filme
estelar. Não fosse o mundo astral que o envolve, alguns nomes ali já
bastariam para aquecer a produção. A dupla dos experientes Anthony
Hopkins e Rene Russo, os pais do herói, são dois chamarizes de
peso. Hopkins desequilibra a balança. A impressão que fica é que
ambos poderiam ter mais espaço no longa. Odin é grandioso,
elegante, envelhecido e cansado: prato cheio para um ator do calibre
que o interpreta.
Natalie Portman, a
mocinha, ah, o que dizer de uma atriz como ela. Sem glamour ou
glitter, carrega em entusiasmo e juventude – representados, claro –
o papel da pesquisadora valente e esperançosa que não nega um
universo maior do que as nossas fronteiras geográficas. Uma
astrofísica que olha para o alto em busca de respostas que
eminentemente convergirão à colisão com o guerreiro. Thor, o
sedutor, tem vez.
fotos: divulgação
O Deus do Trovão (Chris Hemsworth) se encanta com uma mortal (Natalie Portman)
Chris Hemsworth, que já
havia encorpado em 2009 o pai do capitão Kirk na atualização de
Jornada nas Estrelas, faz às vezes do herói do martelo. Faz com
parcimônia. Caracterizado sem exageros e com um tom mais sombrio em
seu uniforme escurecido, emprega vigor ao personagem – e não me
refiro as cenas em que aparece sem camisa, o que levantou suspiros de
algumas pessoas. Falo do rosto barbado que vê sua arrogância
inicial se dissipar ao permitir espaço para um olhar dramatizado. O
papel cresce no decorrer da trama; o ator segura a bronca.
Companhia
Adaptação da vez da
série que arregimenta a aguardada apresentação dos Vingadores
prevista para 2012, Thor faz diversas referências a outros
personagens do universo Marvel. O doutor Banner, Tony Stark, Nick
Fury e por aí vai a série de citações já amarradas em títulos
predecessores. A organização S.H.I.E.L.D. continua personalizada
no agente Coulson (Clark Gregg) que ganha mais espaço neste longa.
Aliás, a cena escondida após os créditos de O Homem de Ferro 2 e
protagonizada por ele agora é reproduzida literalmente.
Por falar em créditos,
lembremos que Marvel e DC são universos paralelos e ao mesmo tempo pares
em um mundo de gigantes: os quadrinhos de superpoderosos. Em Thor, a
assinatura da direção e os primeiros nomes após o longa são
apresentados enquanto o espectador é conduzido para uma viagem entre
galáxias espaço adentro (da imaginação, sobretudo). Belíssimo.
Porém, não podemos ignorar as semelhanças com as sequências de
abertura imortalizadas nos filmes do Superman (DC).
Segue em cartaz.
Gosta de adaptações
de quadrinhos para os quadrões do cinema e da televisão? Então não
deixe de ler matéria sobre o fim da série Smallville, releitura da história do jovem Superman para TV.
atualizado às 14h48 de 18.mai.2011
atualizado às 14h48 de 18.mai.2011







