sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita


O tempo vai se afastando da gente. Tais palavras competem à narradora do filme Bravura Indômita (True Grit), cuja obsessão por uma vingança familiar suscita o mote da obra. A vingança, mascarada por um baleado senso de justiça, nutre a determinação inquebrantável da então jovem de catorze que não se demove um segundo do objetivo de confrontar o assassino de seu pai com seu derradeiro acerto de contas. O latente encontro com o carrasco é o pano de fundo para uma história recheada de suspense, aventura, drama e humor. Não obstante, encerra-se em uma obra reflexiva e profunda.

A jovem Mattie Ross, vivida pela atriz Hailee Steinfeld, também de catorze anos, não é boa com gatilhos. Em certo momento, menciona que se fosse talentosa com revólveres, escolheria uma arma que funcionasse. Contudo, se não leva jeito com os canos de pólvora, é afinada com o manejo dos verbos. Já no início do filme, revela-se que o poder de argumentação e a segurança na fala serão duas das principais ferramentas de persuasão que a garota vai impor ao longo de sua jornada.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Vicente Celestino

No dia 23/8/1968, após jantar, Vicente Celestino subiu para o quarto do hotel Normandie, em São Paulo. Segundo Gilda de Abreu, ele estava feliz e cantara com entusiasmo: “Abri o peito como havia muito tempo não o fazia. Até os músicos me aplaudiram!”. A então viúva narra o último momento de Celestino, segundo suas memórias:

Abriu a janela, procurando respirar o ar gelado que entrava, mas que não o aliviava [...]. Agarrado a mim, ele disse então a frase que nunca esquecerei:
Gilda... Estou morrendo...
E estava mesmo. Atirando-se de costas sobre a cama, murmurou:
Meu Deus, mate-me! Mate-me, meu Deus!