sábado, 24 de dezembro de 2011

O Palhaço

Filme homenageia atuações sob a lona e frente à câmera 
por Danilo Vasques

O segundo longa-metragem de Selton Mello como diretor presta tributo à arte que lhe consagrou como um dos rostos mais notáveis da dramaturgia brasileira. Atorzão inconteste, foca no novo trabalho as entrelinhas do ofício do intérprete redivivo pelos refletores. Não fosse o empenho em exaltar as belezas e arguras do picadeiro, poderíamos até mesmo pensar em um filme feito de ator para ator.

Mas não se trata disso. Observamos a representação de um universo circense idealizado e com leve tom lúdico. A obra acompanha a trupe do Circo Esperança pelos interiores de Minas Gerais em meados do século passado. É um pedacinho de um Brasil de anônimos que aquecem as arquibancadas de madeira e com seus ingressos e entusiasmo reforçam a sobrevivente arte mambembe.



O dono da companhia é interpretado por Paulo José. Ao seu lado está Selton Mello; ambos são os palhaços que norteiam a história. Pai e filho estão em crises distintas e silenciosas, a do mais jovem, que sinaliza aspectos de uma depressão, encabeça o andar do rolo. A extensão da trama mira o reencontro possível entre ambos e também a superação individual. Tem pegadas de humor, mas a tocada é dramática.

Os dois atores, postos sob a mesma lona, representam duas pontas de gerações que marcaram e, naturalmente continuam a fazê-lo, o trabalho do ator como grande arte, a qual transcende palco e tela a conviver no imaginário popular. Além de investirem profundamente nos papéis adquiridos ao longo das carreiras, ambos são profissionais que envergam seus talentos para outras esferas da construção artística, muitas vezes atuando em seus bastidores e por diversas etapas de suas produções. Selton Mello, homem por trás do presente filme, entende a responsabilidade de dividir cena e dirigir um ator com a imensidão que guarda Paulo José.

Não por acaso, abusa da dramaticidade e permite o humor. E, sendo eles quem são, compreende-se a naturalidade de longas sequências, algumas com raras falas, em que ambos podem despender com abundância a arte da representação. Há outros atores que recebem destaques ao longo do filme e que não contaremos para não estragar as devidas surpresas. Atente-se, como se fosse possível não notar, ao trabalho da jovem paranaense Larissa Manoela que interpreta a menina Guilhermina. Um papel de princesa.

O público, que há semanas ultrapassou a cifra de um milhão de pessoas, pode ao final deixar o cinema questionando uma passagem ou outra. Num exercício ingrato de síntese, diríamos que a segunda parte do filme poderia ter recebido um pouquinho mais de desdobramentos ou aprofundamentos à aventura da descoberta de Benjamim, personagem de Mello. Contudo, palavras finais, notamos mergulhos em quatro profundos e largos rios: o encantamento do circo, o trabalho do ator, Paulo José e Selton Mello.

Estreiou em 28/10.
Na região metropolitana de São Paulo, segue atualmente em nove salas.

6 comentários:

  1. Hola Danilo
    BOM NATALE!!!PAZ, AMOR ,SALUD Y ARMONIA, te deseo de todo corazón a ti y a toda tu familia.
    Un abrazo, Montserrat

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  2. Hola, Montserrat!

    Muchas gracias. Feliz Navidad a usted y tu familia. Deseo de corazón un nuevo año espléndido para ti y a todos los amigos. Besos.

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  3. Amigo Danilo, ainda não vi o filme, que certamente verei, mas posso dizer que de todos os excelentes comentários que li sobre ele, este seu é a meu ver o mais bem conduzido. Devia estar nas páginas de um grande jornal. Estão fazendo falta análises com essa acuidade. Um ótimo 2012 para você e seus próximos. Grande abraço!

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  4. Jo, meu amigo, muito obrigado pela consideração. Receber um comentário como o que escreveu, vindo de quem vem, é para mim um reconhecimento sem igual. Fico contente que o texto tenha alcançado esse patamar e espero que de algum modo tenha feito jus ao filme. Continuemos na batalha, pois!

    Um excelente 2012 para você também e família. Um grande abraço e novamente obrigado!

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  5. Excelente texto, Nilo. Como é bom ler uma matéria à altura de um grande filme.

    Mesmo com algumas pequenas faltas, "O Palhaço" é sensível e nos leva a conhecer um pouco mais do universo circense. Vale muito a pena.

    Beijos, parabéns.

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  6. Oi, Jé, fico contente por você ter gostado do texto.

    Compartilhamos, certamente, muitas impressões. É bom saber que a postagem não frustou as expectativas. Agradeço seu generoso comentário.

    Obrigado, beijos.

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