terça-feira, 17 de maio de 2011

Thor

A força do Deus do Trovão além do martelo:
reside em sua humanidade

por Danilo Vasques

Kenneth Branagh é dito como um ator profundo, homem chegado a Shakespeare e outros grandes. Talvez por esta razão, sua versão como diretor para Thor, o personagem criado por Stan Lee, Jack Kirby e Larry Lieber, apoia-se na introspecção como caminho para o filho de Odin encontrar o herói que lhe cabe: é no lado de dentro que reside a força do guerreiro. O aprendizado acontece ao longo do novo cartaz dos estúdios Marvel.

No filme que estreou no final de abril (29), o bravo protagonista só compreende o poder que os deuses oferecem aos seus pares quando se aproxima da mortandade: para Thor, não basta o título, é preciso merecer. Ao trilhar por este universo cósmico que une e distancia divindades e mortais é que se observa o amadurecimento do homem que carrega o martelo. Branagh já comentou por aí que quando assumiu a cadeira de direção da megaprodução, algumas pessoas estranharam ouvi-lo dizer que conhecia em detalhes o herói dos gibis.

Deve ter sido o leitor por trás do diretor, consoante com a história para o longa escrita por J. Michael Straczynski e Mark Protosevich, que permitiu uma adaptação que transita com pertinência entre os dois mundos (ou os noves, de alguma forma, se preferir) do personagem: o reino de Asgard e a Terra. Um filme didático para conduzir novos espectadores ao personagem que teve sua estreia nos quadrinhos em 1962.

Mas deixemos claro: é um filme de ação, antes de tudo .

Dia do Trovão

Nesse campo é difícil escolher os momentos que melhor caracterizam o herói. Dois deles valem grifos: na primeira batalha, Thor e companhia desafiam os guerreiros de gelo, os aparentes vilões num universo paralelo ao reino comandado por Odin. Cortes secos, efeitos especiais, gravidade desafiada, nada de novo, mas o uso do martelo merece destaque. Sensacional. A arma que simboliza o herói tem quase vida própria – para ficar mais claro: energia própria. Lembrou quadrinhos quando Thor se ajoelhou e bateu o cabo da arma no chão ecoando assim a sua força. É a cena impressa num dos pôsteres de divulgação.

 
promocional do filme que estreou em abril

A segunda (se ainda não viu o filme, pule este parágrafo): o herói reavê seus poderes e manobra sua arma em frenética rotação. A partir do seu movimento, um enorme tornado o envolve e Thor voando se faz sublime em meio à eletricidade que reverbera das ondas de ventos e nuvens. O dono do trovão está ali redesenhado.

As sequências que se passam em Asgard são em grande escala coloridas e luminosas, numa tentativa de refletir a magia que envolve os deuses que lá se baseiam. Odin, o pai de todos, um Zeus nórdico, é o mandante do poderio que nutre a família real. Thor é o herdeiro do trono que perde a vez por sua arrogância e imprudência. Punido por atos que fazem romper a paz diplomática às cercanias do seu lar, é lançado pelo pai ao planeta dos humanos e aqui recai sobre ele uma série de provações. É o princípio da história que acena a revisão do mito e rubrica a imaginação.

Astros

Thor é um filme estelar. Não fosse o mundo astral que o envolve, alguns nomes ali já bastariam para aquecer a produção. A dupla dos experientes Anthony Hopkins e Rene Russo, os pais do herói, são dois chamarizes de peso. Hopkins desequilibra a balança. A impressão que fica é que ambos poderiam ter mais espaço no longa. Odin é grandioso, elegante, envelhecido e cansado: prato cheio para um ator do calibre que o interpreta.

Natalie Portman, a mocinha, ah, o que dizer de uma atriz como ela. Sem glamour ou glitter, carrega em entusiasmo e juventude – representados, claro – o papel da pesquisadora valente e esperançosa que não nega um universo maior do que as nossas fronteiras geográficas. Uma astrofísica que olha para o alto em busca de respostas que eminentemente convergirão à colisão com o guerreiro. Thor, o sedutor, tem vez.

fotos: divulgação
 
O Deus do Trovão (Chris Hemsworth) se encanta com uma mortal (Natalie Portman)

Chris Hemsworth, que já havia encorpado em 2009 o pai do capitão Kirk na atualização de Jornada nas Estrelas, faz às vezes do herói do martelo. Faz com parcimônia. Caracterizado sem exageros e com um tom mais sombrio em seu uniforme escurecido, emprega vigor ao personagem – e não me refiro as cenas em que aparece sem camisa, o que levantou suspiros de algumas pessoas. Falo do rosto barbado que vê sua arrogância inicial se dissipar ao permitir espaço para um olhar dramatizado. O papel cresce no decorrer da trama; o ator segura a bronca.

Companhia

Adaptação da vez da série que arregimenta a aguardada apresentação dos Vingadores prevista para 2012, Thor faz diversas referências a outros personagens do universo Marvel. O doutor Banner, Tony Stark, Nick Fury e por aí vai a série de citações já amarradas em títulos predecessores. A organização S.H.I.E.L.D. continua personalizada no agente Coulson (Clark Gregg) que ganha mais espaço neste longa. Aliás, a cena escondida após os créditos de O Homem de Ferro 2 e protagonizada por ele agora é reproduzida literalmente.

Por falar em créditos, lembremos que Marvel e DC são universos paralelos e ao mesmo tempo pares em um mundo de gigantes: os quadrinhos de superpoderosos. Em Thor, a assinatura da direção e os primeiros nomes após o longa são apresentados enquanto o espectador é conduzido para uma viagem entre galáxias espaço adentro (da imaginação, sobretudo). Belíssimo. Porém, não podemos ignorar as semelhanças com as sequências de abertura imortalizadas nos filmes do Superman (DC).

Segue em cartaz.

Gosta de adaptações de quadrinhos para os quadrões do cinema e da televisão? Então não deixe de ler matéria sobre o fim da série Smallville, releitura da história do jovem Superman para TV.

atualizado às 14h48 de 18.mai.2011

6 comentários:

  1. Buenos días Danilo.
    Aquí en Valencia, la han estrenado.
    Yo no la he visto, mi hijo si.


    Beijos, Montserrat

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  2. Parabéns pelo texto, você reuniu nele diferentes pontos que encontramos no filme, além das informações.

    Thor não só traz um show de efeitos que nos levam a viajar por seu universo e fazem o filme valer a pena, como também a personalidade do herói que nos chama a atenção.

    Beijos.

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  3. Hola, Montserrat!

    Gracias por su visita y comentario!

    Abrazos para ti y tu hijo!

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  4. Oi, Jéssi!

    Agradeço sua visita e suas observações!

    Beijos, obrigado.

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  5. Bravo artigo!
    Parabéns!
    Realmente, muito bem escrito.
    Um abraço,
    Marciano Vasques

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  6. Obrigado. Bravo é um adjetivo que combina bem com o herói em questão. Abraços.

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