um conto de Danilo Vasques
Eram quatro horas, o céu ainda escuro, o corpo em pé. O florista sabia que precisava ter disciplina para faturar neste 12 de junho que estava por começar. Dia dos namorados. Pôs o relógio para tocar antes do galo, levantou de pronto, tomou café requentado e foi para a garagem buscar os buquês e as pelúcias.
Esperou a carona de Kombi do primo que topou acordar cedo para levá-lo à habitual esquina. O florista trabalha em harmonia com as datas, já comprovou que naquele farol só o dia das mães lucra mais que os corações apaixonados. Na véspera da vez, ele mesmo preparou os arranjos. Comprou as flores, limou os talos (mas permitiu alguns espinhos, claro, pois bem sabe que a vida é dura). Fez os laços, combinou as cores, enfeitou os ursos, despejou purpurinas a perder de vista, não esqueceu os cartões.
Chegou no ponto às cinco e meia, alguma claridade no alto, os carros passando. Lugar estratégico, cruzamento de avenidas, perto de shopping, perto de metrô. O primeiro cliente apareceu às seis e quinze, pretendia atravessar a cidade e chegar antes do chefe para entregar um botão para a recepcionista, namoro em segredo. O último veio por volta das nove da noite, queria comprar um enlaçado violeta.
Quinze minutos antes dele, dois garotos armados assaltaram o vendedor. Sem cerimônia, levaram os quatrocentos reais que o florista levantara durante o dia de trabalho. Para completar, ameaçaram furtar-lhe a vida apontando para a cabeça.
O florista entregou todo seu ordenado. Ficou desolado. Gritou "assalto", ninguém ouviu. Meia hora depois, conversou com dois policiais que passaram montados em motocicletas. Disseram que iriam rodar por aí, procurar suspeitos, um final provável.
Após o assalto, o vendedor ainda conseguiu dar conta de uma ou outra flor até a Kombi retornar quando já passava das dez. Chegou em casa triste e cansado, contudo, conseguiu sorrir ao perceber a esposa solitária (não notara sua presença), sentada à mesa, num misto de aflição e ternura, a apreciar o enfeite de rosas adornado com um cartão repleto de palavras de amor que o florista deixara para ela ao sair de manhã.
Eram quatro horas, o céu ainda escuro, o corpo em pé. O florista sabia que precisava ter disciplina para faturar neste 12 de junho que estava por começar. Dia dos namorados. Pôs o relógio para tocar antes do galo, levantou de pronto, tomou café requentado e foi para a garagem buscar os buquês e as pelúcias.
Esperou a carona de Kombi do primo que topou acordar cedo para levá-lo à habitual esquina. O florista trabalha em harmonia com as datas, já comprovou que naquele farol só o dia das mães lucra mais que os corações apaixonados. Na véspera da vez, ele mesmo preparou os arranjos. Comprou as flores, limou os talos (mas permitiu alguns espinhos, claro, pois bem sabe que a vida é dura). Fez os laços, combinou as cores, enfeitou os ursos, despejou purpurinas a perder de vista, não esqueceu os cartões.
Chegou no ponto às cinco e meia, alguma claridade no alto, os carros passando. Lugar estratégico, cruzamento de avenidas, perto de shopping, perto de metrô. O primeiro cliente apareceu às seis e quinze, pretendia atravessar a cidade e chegar antes do chefe para entregar um botão para a recepcionista, namoro em segredo. O último veio por volta das nove da noite, queria comprar um enlaçado violeta.
Quinze minutos antes dele, dois garotos armados assaltaram o vendedor. Sem cerimônia, levaram os quatrocentos reais que o florista levantara durante o dia de trabalho. Para completar, ameaçaram furtar-lhe a vida apontando para a cabeça.
O florista entregou todo seu ordenado. Ficou desolado. Gritou "assalto", ninguém ouviu. Meia hora depois, conversou com dois policiais que passaram montados em motocicletas. Disseram que iriam rodar por aí, procurar suspeitos, um final provável.
Após o assalto, o vendedor ainda conseguiu dar conta de uma ou outra flor até a Kombi retornar quando já passava das dez. Chegou em casa triste e cansado, contudo, conseguiu sorrir ao perceber a esposa solitária (não notara sua presença), sentada à mesa, num misto de aflição e ternura, a apreciar o enfeite de rosas adornado com um cartão repleto de palavras de amor que o florista deixara para ela ao sair de manhã.