sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Samba entre aspas


Olá. Peço licença para contar um tiquinho de uma enriquecedora experiência. Em fevereiro de 2006, conheci pessoalmente Jamelão. Assisti a uma de suas longas apresentações num bar em São Paulo. O show ocorreu no primeiro dia daquele mês, uma noite de quarta-feira. Na manhã de sexta, ele me recebeu num hotel na região central da cidade.


A camisa que vestia dividia-se entre o verde e rosa da Mangueira e as cores do Vasco da Gama. Tratava-se de uma entrevista para um programa de TV e que mais
tarde sairia publicada numa revista. Jamelão contou como chegou ao samba meio que por acaso quando ainda na adolescência entregava jornais. Comentou as influências que forjaram o cantor que durante décadas estaria na avenida. E disparou sua crítica ao atual carnaval declarando que hoje existe somente desfile de escola de samba: "O carnaval, continuo dizendo, acabou".

Caso queira ler as palavras deste saudoso músico, famoso intérprete de samba-enredo morto em 2008, clique AQUI e veja os trechos da entrevista republicados na Palavra Fiandeira.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Raízes desnudas

E choveu a tarde toda. Há dois dias, segui por caminhos de Cidade A. E. Carvalho, zona leste da cidade, para registrar uma tragédia particular consequente das chuvas que atingem São Paulo há várias semanas: as constantes e prematuras quedas de árvores.


Sei que perdi a conta quando a cifra passava da primeira dezena de árvores caídas. O cenário era composto por troncos tombados, raízes desnudas e galhos arrancados, ruas interditadas e fios de eletricidade e de telefonia dependurados dos postes e espalhados pelo chão. A região ficou sem luz do começo da noite até pouco mais das 23h.


Conversei com pessoas, ouvi histórias e percebi um misto de espanto e tristeza entre os moradores. Um senhor grisalho que foi atingido por um raio e viu o telhado da casa desabar revelava um otimismo curioso: mesmo após o raio o arremessar contra a parede e as pernas não conseguirem pular a janela para fora, quando a água encharcava sua camisa e tudo tencionava ruir, ele se dizia abençoado. É que nenhum tijolo o atingira e ele não sofreu sequer um arranhão.




Pouco antes, conversei com algumas crianças que comentavam o quanto era triste ver uma árvore cair. Porém, mesmo com a tragédia defronte, uma delas enxergava no tronco tombado uma nave espacial. E, piloto experiente, correu para montá-la sorrindo: a imaginação dialogava com a realidade.



Quando a noite caiu, uma tristeza maior correu pela região. Começavam a pulular entre os moradores as primeiras notícias sobre algumas crianças que haviam desaparecido perto do córrego da avenida Caititu que desemboca no Jacu-Pêssego, entre os limites de A. E. Carvalho e Parque Guarani. Saberia-se mais tarde que uma idosa também sumira. O drama atrairia helicópteros ainda naquela noite e ganharia os noticiários de ontem. Já nesta manhã estaria estampado nas bancas de jornal da cidade.


Fotos realizadas por Danilo Vasques em Cidade Antonio Estevão de Carvalho no dia 3 de fevereiro de 2010.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Reticências

Em maio passado, publiquei neste espaço uma matéria sobre o compositor Victor Simón (1916–2005). Autor de inúmeras canções, dentre elas, "O Vagabundo", "Bom Dia, Café" e "Vagalume", o músico carioca correu mundo e se tornou um grande expoente da arte brasileira até a década de 1960, quando começou a se distanciar do cenário fonográfico nacional. Para reler, clique aqui.

Agora, se desejar conhecer um pouco mais, indico visitar a Área Livre da revista Continnum, do Itaú Cultural. Sem intenção de autopromoção, peço licença para relatar que se trata de um novo texto por mim assinado e que saiu na versão on-line da publicação. No endereço abaixo:

http://itaucultural.org.br/revista/box_vasques.html