Sinceramente, hesito ao escrever este texto. É que sei que qualquer palavra não será suficiente e que a história é maior do que posso compreender.
Tive vontade de começá-lo anteontem, 25/6, quando no sofá passei a acompanhar as notícias até então desencontradas.
Fazia cerca de meia-hora que uma mensagem enviada pela minha irmã havia me deixado a par do assunto. Li seus dizeres no celular quando junto com meu irmão esperava meu pai encomendar alguns pastéis para um aniversário que acabou faz pouco mais de duas horas.
Enquanto o pedido era anotado, percebemos de longe que um televisor falava a respeito da internação. Logo, perguntei para a vendedora que comentou o que acontecia. Alguns minutos depois, passei numa padaria e uma chamada de telejornal reforçava a parada.
Voltamos para casa e ligamos a TV – a cena do sofá lá de cima. Momento qual veio-me um pensamento que comecei a matutar como a possível abertura do texto, o qual imaginava postar ainda naquela noite. Começaria assim: Torço para que a imprensa não confirme.
Mas a CNN confirmou com um médico legista. A notícia tornou-se oficial: Michael Jackson estava morto.
E, infelizmente, a frase perdeu o sentido. Morria ali alguém cuja contribuição cultural é impagável e incalculável. Morria um ser humano distinto e um artista inigualável.
Ainda que essas linhas sejam breves, permito-me a franqueza de contar a intenção: é que percebi que não poderia me furtar a publicar um texto que levasse seu nome a um lugar merecido, a um local conquistado: o lugar a que me refiro fica lá no alto, solitário, no título, em destaque.
É porque creio – e isso é uma leitura pessoal – que a grandeza de seu nome ecoará por muito tempo. É que a luz viaja muito rápido e o universo é imenso, assim, nalguns casos, podemos ver clara aqui da Terra a luminosidade de uma estrela mesmo quando a sua matéria já não existe, podemos vê-la mesmo quando ela já está morta.
Continuar a brilhar quando já não se vive é mesmo coisa de astros.
Imagem: divulgação/ reprodução
Texto revisado em 22 de outubro de 2010
