segunda-feira, 30 de março de 2009

Madrugada

Estou ao volante, volto para casa, São Paulo, tateio o dial e encontro uma música que reconheço imediatamente, apenas poucas notas para a eletricidade no meu cérebro sublinhar: Smell Like Teen Spirit.

Aumento o som, madrugada: 1h40, aumento novamente seguindo uma sentença nalgum canto de minha mente que me impele a rodar o botão de volume. Só para precisar: há garoa, visto preto não xadrez e uma sensação de falta ocupa o vazio dos lugares do carro.

Tal canção, atualmente, talvez não devesse me tocar, muito já a ouvi e até cheguei a pensá-la demasiadamente cansativa. No entanto, contrariando a exaustão e qualquer roteiro, novamente
Smell Like Teen Spirit me surpreende.

Texto reeditado em 19 de fevereiro de 2010 e revisado em 15 de outubro do mesmo ano. Título original: Nirvana, uma noite quinze anos depois.

Registro

Danilo Vasques/22.mar.2009

Ingresso do Just a Fest, festival que contou com Radiohead, Los Hermanos e Kraftwerk. Foto tirada em 22/3/2009 pelo autor da postagem.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Radiohead em São Paulo

Daniela Vasques/22.mar.2009


In Rainbows (2007) foi o mote da turnê que trouxe o Radiohead ao Brasil. Entenda-se então que o som que percorreu a Chácara do Jockey na noite de ontem, 22/3, tinha muito do Radiohead de hoje, mas também do rock registrado lá nos dois primeiros discos da banda, Pablo Honey e The Bends, 1993 e 1995, respectivamente. Percebe-se que, sobretudo após Kid A (2000), as experimentações eletrônicas nutrem o caldo do grupo.

Falemos do show: Cerca de duas horas e vinte de música, cores, luzes e energia reproduzidas em dois telões que priorizavam os integrantes em câmeras independentes – assim, viu-se com nitidez, por exemplo, a guitarra de Jonny Greenwood tocada por uma haste de violino num momento ímpar.

Foi possível perceber também um certo desespero no rosto de Thom Yorke ao cantar músicas como "There There" ou "Optimistic". "Desespero" é modo simplório de traduzir a expressão daquele que canta o que sente – e se não sente (ora, só podemos intuir), faz como tal. E ouvimos dele um "boa noite" e um "obrigado", ambos em português, que fisgaram do público grande aclamação.

Foi "15 Step" que abriu a noite e músicas de todos os álbuns correram o descampado que recebeu uma cifra acima de 30 mil pessoas. Lá pelos vinte minutos, "Karma Police", a primeira de OK Computer a ser tocada – o disco-chave da banda lançado em 1997 , levantou o coro da multidão. Foi precioso Yorke retomar os últimos versos ao violão, após seu encerramento. Assim aconteceria com outras canções, como a emocionante "Paranoid Android".

Também um espetáculo "Exit Music", aquela do final de "Romeu + Julieta", acompanhada num silêncio respeitoso de uma plateia envolvida pelos acordes (neste momento, solitários) do cantor no centro do palco. Foram várias viagens. A balada "Fake Plastic Trees" certamente comoveu quem esperou mais de uma década para apreciá-la ao vivo. Testemunhar a "energia" da guitarra de Greenwood no que podemos chamar de segunda parte da música crivou a expectativa: trata-se de uma banda sensacional. E, numa celebração semelhante, o terceiro bis fechou as duas horas que passaram rápidas demais: "Creep", o primeiro sucesso.

Por fim, que a noite estava nublada e que se previa chuva já sabíamos, entretanto, que estrelas brilhariam, precisávamos conferir de perto. Foi um show e tanto.

A banda: Thom Yorke, Jonny Greenwood, Ed O'Brien, Colin Greenwood e Phil Selway.

divulgação/24.set.2008





Foto do show tirada por Daniela Vasques com um aparelho celular. Foto de Thom Yorke em 24/9/2008: divulgação do site oficial da banda. Todos os direitos reservados. O presente texto foi reeditado em 23/3/2010 e revisado em 15 de outubro do mesmo ano.

Aproxime-se



Este é o começo...

... E se levo um pouco de mim em quase tudo o que realizo, apenas existir basta? Não. Parece-me, mas não sei ao certo, ser preciso também criar....



Anotações: Adaptação de fragmento extraído do artigo "Sou criativo?", do mesmo autor, publicado no Jornal Notícias-Diadema, nº 71, p.5, 2008. Inspirado numa bela aula de jornalismo literário. A presente postagem foi revisada, alterada, atualizada e totalmente reeditada em 23/03/2010. Para rever o original, basta clicar na imagem abaixo:

reprodução/2008