um conto de Danilo Vasques
Observava as brasas ainda luminosas quentando de leve a noite de domingo. Mas já não havia fogo, os tocos, os galhos e as ripas desmancharam-se em cinzas. O vento que vinha do lado começava a ganhar corpo. Estava na hora. Alguns pés rumavam para dentro das casas e o silêncio que de longe espreitava o quintal ia se chegando aos poucos, se assentando, enquanto a lua ficava alta. Sem demora, pegou o galho fino e remexeu os restos queimados. Sacou dali a batata-doce, deixou amornar, descascou uns pedaços chamuscados e mordeu uma, duas, três vezes impiedosamente. Apreciou com cuidado os minutos que se seguiram em novas mordidas até lamber os dedos ao final e ter uma certeza: iria dormir feliz.
revisado em 26.out.2010
revisado em 26.out.2010
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