sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Tom Cruise


Sete faces de um mesmo intérprete

por Danilo Vasques

Seria Tom Cruise um grande ator? Não tenho dúvidas.

Às vésperas dos cinquenta anos, é escolado na profissão. Guarda em mais de três décadas de carreira diversos papéis e a certeza de que seu rosto já frequentou lares multiculturais a oceanos distantes. À época da estreia do seu último filme, Missão Impossível: Protocolo Fantasma, o blog Tentaciones, da versão on-line do diário espanhol El País publicou uma seleção de 7 atuações memoráveis que o jornal considerou marcantes na história do ator. Com ironia, a última cena correspondeu a sua presença na bancada de Oprah Winfrey.

Retomamos a ideia e apresentamos aqui a nossa seleção de 7 momentos marcantes na carreira de Tom Cruise. Contudo, abdicamos das notas de rodapé que correspondem ao mundo além das telas. São muitos os aspectos de uma vida permeada de contratos milionários e cobrada por flashes, fãs e desafetos mundo afora. É sobre a arte do intérprete que nos compete versar aqui, a despeito das virtudes e defeitos que lhe pintam as feições como astro, celebridade, pai de família e indivíduo.

Focamos o cinema de Tom Cruise. Tomamos como base o seu desempenho, a complexidade do personagem, a expressividade do ator e a qualidade do filme, esta último podendo variar de regular a excelente. É um incompleto mosaico que certamente não agrega a complexidade do portfólio desta face carimbada da produção hollywoodiana.

Sete excelentes atuações de Tom Cruise:

Dir.: Paul Thomas Anderson, 1999 

Dir.: Steven Spielberg, 2005 

Dir.: Neil Jordan, 1994 


Dir.: Cameron Crowe, 1996 


Dir.: Brian DePalma, 1996


Dir.: Steven Spielberg, 2002 


Dir.: Oliver Stone, 1999



fotos: reprodução

Missão Impossível: Protocolo Fantasma


Ethan Hunt e seu papel de herói das causas impossíveis 

por Danilo Vasques

Eis um dos últimos filmes que vi em 2011 (há seis semanas). Explosivo. O adjetivo percebe-se logo no prólogo em que acompanhamos um agente da IMF (Força Missão Impossível) em fuga. Poucos minutos e um risco de pólvora queima o tradicional pavio que caracteriza sua abertura. Estamos diante de um longa repleto de adrenalina e que mantém a franquia acima da média dos filmes de ação.

Com direção de Brad Bird (Ratatoulle), o quarto filme emenda sequência ao título de 2006 dirigido por J.J. Abrams (Super-8). Investe no suspense acerca da vida pessoal do agente protagonista, que saíra em lua de mel ao cabo do terceiro, e emenda uma crise de identidade na organização secreta que já se mostrara abalável desde o primeiro título apresentado por Brian DePalma (Scarface), em 1998. Ponto estratégico na trama da vez: a apropriação do agente Benjamin, interpretado por Simon Pegg, personagem secundário no anterior e sublinhado agora como um partícipe cômico cuja função principal é equilibrar a tensão que percorre os aproximados 130 minutos da produção.

Reforçado por referências aos títulos predecessores e fiel à série televisiva seminal, Missão Impossível: Protocolo Fantasma situa-se como uma elaborada trama em que se pesem o talento do ator principal e o carisma de seu personagem. Tem lá, talvez, algumas poucas tendências que outros chamariam de imperialistas (um atentado terrorista no Kremlin e o estrangeiro que transita entre fronteiras e não respeita as leis locais em prol de sua missão), mas isso tudo é pequeno. Trata-se de uma obra que cabe à pipoca. Ademais, não prega nada além do que é: um excelente filme do gênero. 

Super-Hunt 

Ethan Hunt, personagem vivido por Tom Cruise e protagonista do filme, é inquebrantável. Não que o personagem não caia, sofra, sangre ou se machuque, o fato é que sua determinação e objetividade são qualidades não abaláveisIncorruptível, é um forte. Ao seu modo, preserva sinais da consagrada imagem do super-herói moderno. Um homem sem poderes ou artifícios sobrenaturais que depende de sua força, habilidade e inteligência para combater o inimigo em razão de um bem maior, normalmente associado à coletividade. 

Em paz com suas ferramentas e adepto da tecnologia de ponta, permite que a coragem, o instinto e o altruísmo norteiem suas ações. Razões pelas quais pode, por exemplo, mergulhar sem cerimônias de um prédio em Dubai apenas sustentado por cabos (Cruise fez as cenas de ação). Ainda na esfera do altruísmo tão caro ao gênero do herói, lega ao coração sua mais difícil causa. A paixão será sempre uma navalha e a solidão uma rédea (ao Superman, fortaleza) para os indivíduos de identidade secreta, e com Hunt não é diferente: ele não conseguirá driblar com plenitude os perigos da sua vida dupla como agente da IMF e marido. Contudo, neste caso, o sacrifício é palavra óbvia para quem aceita o risco do impossível.

Segue em São Paulo e em outras praças. 


7+

Às vésperas do lançamento de Missão Impossível: Protocolo Fantasma, um jornal estrangeiro publicou em seu blog uma seleção das quais seriam as sete interpretações memoráveis de Tom Cruise. Emprestamos a ideia para uma postagem semelhante. Veja a seguir.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Retrô

Uma breve retrospectiva do nosso espaço. Selecionamos uma postagem para cada mês deste ano, exceto por julho, em que nos vimos obrigados a reunir dois títulos que obtiveram considerável repercussão entre os números de acessos: a morte da cantora Amy Winehouse e a estreia do último filme de Harry Potter. Não se trata de um resumo do ano para o blog, apenas uma tentativa de ilustração para alguns de nossos momentos em 2011.

Janeiro

O ugandense David Kato morreu a caminho do hospital aos 41 anos, ele não resistiu a graves ferimentos em sua cabeça. O ativista havia endossado em 2009 o movimento popular contra uma medida parlamentar que pretendia legitimar a pena de morte para casos de homossexualidade em Uganda. Em fevereiro de 2010, o presidente dos EUA, Barack Obama, criticou publicamente a inclinação antigay ugandense ressaltando preocupação com o crescente ódio no país. A brasileira Lea T., transexual, desfila em São Paulo. As possibilidades de expressão e de liberdade de opção sexual recebem novo fôlego com a projeção do trabalho da modelo brasileira crescida em Gênova. A morte de Kato, vítima sobretudo da intolerância, ocorre no mesmo mês. (JORNAL) Leia a postagem

Fevereiro 

O tempo vai se afastando da gente. Tais palavras competem à narradora do filme Bravura Indômita (True Grit), cuja obsessão por uma vingança familiar suscita o mote da obra. A vingança, mascarada por um baleado senso de justiça, nutre a determinação inquebrantável da então jovem de catorze que não se demove um segundo do objetivo de confrontar o assassino de seu pai com seu derradeiro acerto de contas. O latente encontro com o carrasco é o pano de fundo para uma história recheada de suspense, aventura, drama e humor. Não obstante, encerra-se em uma obra reflexiva e profunda. (CINEMA) Leia a postagem

Março

O jornalista Andrew Higgins registra que na cidade japonesa de Ishinomaki, o jornal local Hibi Shimbun teve suas letras impressas com tinta de caneta preta grafadas à mão em folhas grandes de papel branco. Em artigo publicado no Washington Post na última segunda-feira, ele anota que o único jornal da região enfrentou à moda "antiga" a pane elétrica e digital provocada pelos tremores seguidos de tsunami que abalaram o Japão em 11 de março. Sem acesso à internet, telefones 3G, gasolina, gás e energia, a equipe do periódico viu-se à deriva e recorreu à produção artesanal de sua publicação. (JORNAL) Leia a postagem

Abril
Rio

Uma arara-azul macho nascida numa floresta tropical é raptada e se torna vítima do tráfico de animais. Engaiolada, o destino lhe permite uma brecha e sua vida vai se desenvolver sob o aconchego de uma casa na frienta Minnesota (EUA), ou “Microssota”, como diz na versão em português a única fêmea da espécie. São os pássaros Blu e Jade, os protagonistas que terão suas vidas cruzadas e acorrentadas numa aventura que está em cartaz nos cinemas mundo afora. (CINEMA) Leia a postagem 

Maio

Os Estados Unidos confirmaram a morte de Osama Bin Laden, 54 anos. Há poucas horas, o presidente norte-americano, Barack Obama, declarou a morte do líder da Al-Qaeda apontado como um dos mentores dos ataques de 11 de setembro. Ele foi alvejado por forças norte-americanas no Paquistão. Por volta das 23h30 (madrugada no Brasil), em pronunciamento à televisão local, Obama garantiu que os Estados Unidos detêm o corpo de Bin Laden. Antes mesmo de confirmada, a notícia reuniu centenas de pessoas em frente à Casa Branca. O terrorista foi abatido a tiros na região de Abottabad, norte paquistanês. (JORNAL) Leia a postagem

Mais do que uma adaptação cinematográfica de quadrinhos, novo longa da franquia evita excessos e no correr de aproximadamente 130 minutos apresenta uma história para quem gosta ou não de gibis. Trata-se de uma obra que, em meio a vilões e heróis mutantes, versa sobre humanidade, descobertas e aceitação do próximo; necessariamente, aceitação de si mesmo. Com roteiro construído para o cinema, reconta o início da saga dos X-Men. Com adaptações e subversões ao universo das HQs, o filme consolida o encontro de Charles Xavier e Eric Lehnsherr. A amizade de ambos e a trincheira latente entre suas ideologias são pontuadas numa obra cujos efeitos especiais somam sem atrapalhar, o que se faz um triunfo, afinal. (CINEMA) Leia a postagem

Julho


Se Amy Winehouse será lembrada pelos excessos ou por seu talento, quiçá ambos, não sabemos. Contudo, é musicalmente bem aprumado o legado que assinou em dois discos e diversos shows marcados pelo refinado estilo Rhythm and Blues consoante com uma vida de celebridade às avessas limada com atitudes de um certo tipo rock star. Dona de um vozeirão ímpar e uma sensibilidade sonora igualmente profunda, a cantora empregou com esmero as possibilidades daquilo que seria seu melhor instrumento: justamente a voz. (MÚSICA) Leia a postagem



Lágrima é uma palavra que se tem observado em jornais mundo afora quando o tema é o derradeiro longa de Harry Potter. O filme que encerra a franquia cinematográfica iniciada há uma década é recheado de ação, tensão e comoção. Adaptação aprumada do livro homônimo e também composta de recriações autorizadas, a obra reforça laços observados nos títulos anteriores e traz revelações que devem agradar a plateia. O novo título fala sobre humanidade. (CINEMA) Leia a postagem

Agosto

O que pensaria Bob Kane se cientistas houvessem descoberto há oitenta anos o que ontem foi divulgado? O morcego comum (Desmodus rotundus) possui sensores infravermelhos que possibilitam encontrar com rara precisão os vasos sanguíneos de suas vítimas sob a epiderme. Localizados na face, os leitores térmicos garantem que o animal perceba a fonte de calor a cerca de vinte centímetros da presa. (JORNAL) Leia a postagem

Setembro
Não compete aguardamos um recontar fidedigno da engenhosidade do assalto e dos desdobramentos obscuros revelados parcialmente pela imprensa ao longos dos últimos seis anos. Criticada ou recomendada por frentes distintas da imprensa, estamos diante de uma obra que se apresentou promissora e resultou em um filme ágil e direto. (CINEMA) Leia a postagem

Outubro

Degenerativo, o mal apontado pelo neurologista alemão Alois Alzheimer no início do século XX atinge milhões de pessoas no mundo todo e configura um quadro dramático aos pacientes, seus familiares e outras pessoas afetadas direta ou indiretamente por ele. A busca pela cura da doença descoberta pelo médico há 110 anos é propulsora das ações do coprotagonista do filme "Planeta dos Macacos: a Origem". (CINEMA) Leia a postagem

Novembro
Virginia Woolf, em entrevista à Rádio BBC no ano de 1937, comentou que as palavras “vivem na mente e não nos dicionários”. Segundo o depoimento, apontado como único registro disponível de sua voz, seria por questões de porte semelhante que ela sentiria dificuldades em enxergar em seus pares um autor marcante, com potencial para se transformar em um nome atemporal – “Talvez a razão pela qual não temos um grande poeta ou romancista em nossos dias”. (JORNAL) Leia a postagem

Dezembro
Paulo José e Selton Mello interpretam os palhaços que norteiam a história. Os dois atores, postos sob a mesma lona, representam duas pontas de gerações que marcaram e, naturalmente continuam a fazê-lo, o trabalho do ator como grande arte, a qual transcende palco e tela a conviver no imaginário popular. Além de investirem profundamente nos papéis adquiridos ao longo das carreiras, ambos são profissionais que envergam seus talentos para outras esferas da construção artística, muitas vezes atuando em seus bastidores e por diversas etapas de suas produções. Selton Mello, homem por trás do presente filme, entende a responsabilidade de dividir cena e dirigir um ator com a imensidão que guarda Paulo José. (CINEMA) Leia a postagem

Até 2012! Feliz Ano Novo!
Danilo Vasques.